Obra reúne relatos reais de pessoas que passaram por tentativas de suicídio e reforça a importância da prevenção, do acolhimento e do tratamento adequado

O Conselho Federal de Medicina (CFM) lançou, nesta terça-feira (15), durante o II Fórum de Psiquiatria do CFM, o livro “Viventes: Crônicas de vida sem ponto final”. A obra (acesse AQUI), escrita pelas psiquiatras Ana Yuri Matsumoto e Carla Gaiger, reúne histórias reais de pessoas que passaram por tentativas de suicídio e, por diferentes razões, encontraram caminhos para continuar vivendo.
O lançamento foi anunciado pelo 2º secretário do CFM, Estevam Rivello, que destacou o caráter inédito e o relevante alcance social da publicação. Para ele, o livro representa uma experiência singular na literatura brasileira ao dar voz a pessoas que estiveram diante da possibilidade de interromper a própria vida e conseguiram seguir adiante.
“É uma experiência única na literatura brasileira. O livro tem um enorme apelo social e certamente vai despertar o interesse de todos que tiverem contato com seu conteúdo”, afirmou. Ele também ressaltou a importância de levar a discussão sobre o suicídio para além do ambiente médico. Segundo Rivello, trata-se de um problema de saúde pública que deixa marcas profundas em famílias e amigos. “Essa é uma pauta que passa por muitas famílias brasileiras. São índices e histórias que machucam familiares e amigos”, observou.

Organizado por Ana e Carla, “Viventes” reúne relatos de profissionais de diferentes áreas e apresentam histórias de pessoas que estiveram diante de situações de sofrimento intenso e tentaram abreviar a própria trajetória, mas permaneceram vivas. A proposta, segundo Ana, é justamente não definir essas pessoas apenas como “sobreviventes”. “O livro é sobre viventes, e não sobre sobreviventes. Em algum momento, eles passaram pelo caminho da morte”, explicou a autora.
A obra procura apresentar essas histórias a partir de uma perspectiva de esperança, sem buscar culpados. O objetivo é estimular a sociedade a reconhecer sinais de sofrimento, acolher quem precisa de ajuda e compreender que uma intervenção adequada pode fazer diferença. “É um livro de esperança. Não é um livro sobre culpas”, destacou Carla.
A publicação também chama a atenção para a responsabilidade coletiva na prevenção do suicídio. Aprender a identificar sinais, oferecer acolhimento, intervir e encaminhar para o cuidado adequado são atitudes que podem abrir possibilidades para quem enfrenta uma crise.
“Muitas vezes, a oportunidade de intervir esteve diante de nós”, lembraram as autoras.
