Nova resolução altera norma de 2025 e reforça a participação do especialista no cuidado e acompanhamento dos pacientes
O Conselho Federal de Medicina (CFM) publicou, nesta segunda-feira (24), a Resolução CFM nº 2.470/2026, que inclui expressamente o médico endocrinologista e metabologista na composição da equipe multidisciplinar mínima responsável pelo cuidado de pacientes submetidos à cirurgia bariátrica ou metabólica. A norma altera o Anexo da Resolução CFM nº 2.429/2025 e entra em vigor na data de sua publicação.
Com a mudança, a equipe mínima passa a ser formada, além do cirurgião, por médico endocrinologista e metabologista, cardiologista, psiquiatra, nutrólogo, nutricionista e psicólogo. Outros médicos especialistas e profissionais de saúde também poderão integrar a assistência, de acordo com as necessidades clínicas de cada paciente.
Para o presidente do CFM, José Hiran Gallo, a alteração reforça a segurança e a integralidade da assistência oferecida às pessoas com obesidade e doenças metabólicas. “A cirurgia bariátrica ou metabólica não pode ser compreendida como um procedimento isolado. Ao explicitar a participação do endocrinologista e metabologista na equipe mínima, o CFM reforça o caráter multidisciplinar desse cuidado”, afirma.
A Resolução nº 2.429/2025 já estabelece que a cirurgia bariátrica ou metabólica integra um tratamento multidisciplinar, que envolve avaliação, preparo, seguimento clínico e acompanhamento pós-operatório prolongado. A nova norma busca reforçar essa abordagem ao reconhecer formalmente a atuação da endocrinologia e metabologia no diagnóstico, tratamento e acompanhamento de condições frequentemente presentes nesses pacientes.
Segundo o relator, Bruno Leandro de Souza, a mudança contribui também para valorizar a formação especializada e ampliar a segurança clínica. “A obesidade é doença crônica, complexa, multifatorial e frequentemente associada a comorbidades metabólicas, cardiovasculares, psiquiátricas, nutricionais e osteoarticulares. O acompanhamento endocrinológico e metabólico permite identificar situações em que o tratamento clínico ainda pode ser otimizado”, destaca.
Realidades locais – A resolução também considera as diferenças de disponibilidade de especialistas nas diversas regiões do País. Na ausência de algum dos médicos especialistas previstos na equipe, poderá atuar, excepcionalmente, médico com experiência no acompanhamento de pacientes submetidos à cirurgia bariátrica ou metabólica. A circunstância deverá ser justificada no prontuário, sem prejuízo do encaminhamento ao especialista sempre que a condição clínica exigir.
A medida procura conciliar rigor técnico e viabilidade assistencial diante das diferentes realidades do sistema de saúde brasileiro. A alteração busca assegurar maior precisão técnica e integração entre as diferentes especialidades e profissões envolvidas no tratamento, preservando seu caráter multidisciplinar e reforçando a responsabilidade médica no acompanhamento integral do paciente.