O Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) lançam neste sábado (23), durante a 17ª rodada do Campeonato Brasileiro, uma campanha nacional para chamar atenção à crescente violência contra médicos e profissionais da saúde em todo o País. A mobilização reforça a necessidade de garantir segurança a quem dedica a vida ao cuidado da população. Doze médicos são agredidos por dia no Brasil, uma média de um caso a cada duas horas.
Os episódios de violência se espalham por hospitais, clínicas e unidades de atendimento em todas as regiões. Segundo dados levantados pelo CFM com base nos boletins de ocorrência registrados nas delegacias de polícia de todo o País, 66% das ocorrências acontecem no interior e 34%, nas capitais.
O CFM e a CBF alertam que a violência compromete não apenas a integridade física e emocional dos profissionais, mas também impacta diretamente a qualidade da assistência prestada à população. Para as entidades, garantir ambientes seguros de trabalho é uma medida essencial para proteger médicos, equipes de saúde e pacientes.
O presidente do CFM, José Hiran Gallo, acredita que a sociedade precisa compreender a gravidade do problema e reagir de forma firme. “O CFM e a CBF apelam por providências urgentes. Os profissionais carecem de segurança física dentro das unidades de saúde. A garantia de condições para o exercício da atividade médica, dentre os quais a oferta de espaço seguro, é imprescindível, assim como o acesso dos pacientes ao direito fundamental à saúde, tanto na rede pública quanto na rede privada. A regra é clara: violência contra médicos é falta grave. Quem salva vidas, merece trabalhar em segurança”, afirma.
O presidente da CBF, Samir Xaud, que também é médico, destaca a responsabilidade institucional de combater a violência em todos os ambientes sociais. “Como médico e presidente da Confederação Brasileira de Futebol, tenho a responsabilidade de me posicionar contra qualquer forma de violência dirigida a quem dedica a vida a cuidar do outro. Na saúde e no futebol, o respeito às regras e à integridade de todos é o que permite que o jogo aconteça”, destaca.
Segundo ele, é preciso garantir segurança para que médicos possam exercer sua missão com dignidade. “Violência não faz parte do esporte, nem da medicina, nem da sociedade que queremos construir”, declara.
Com linguagem inspirada no universo do futebol, a campanha reforça mensagens como “A regra é clara: violência contra médicos é falta grave” e “Quem salva vidas merece trabalhar em segurança”, aproximando a conscientização pública de um tema que preocupa cada vez mais as entidades médicas.
Medidas para conter violência – Diante do crescente quadro de violência contra médicos, o CFM publicou no ano passado a Resolução CFM nº2.444/2025, que estabelece que as unidades de saúde devem ter controle de acesso, videomonitoramento em áreas comuns e protocolos de resposta imediata a situações de violência. Além disso, o CFM também apoia projetos de lei que tramitam no Congresso Nacional e aumentam penas para quem cometer atos contra médicos e profissionais de saúde no exercício da função.