Doutor(a), você também merece cuidado. Esta é a mensagem central da cartilha lançada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) e Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) neste Setembro Amarelo, reforçando a atenção à saúde mental dos médicos. Parceiras na campanha nacional desde 2014, as entidades defendem a informação, o acolhimento e a busca por tratamento como instrumentos fundamentais para a prevenção do suicídio. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que mais de 720 mil pessoas morrem por suicídio anualmente no mundo. No Brasil, os registros se aproximam de 15 mil casos, o que representa uma média de 38 mortes por dia.
Neste ano, a cartilha voltada especialmente aos médicos alerta para a necessidade de romper com uma cultura profissional que associa resistência a longas jornadas, pressão e sofrimento à força. O documento destaca que médicos não são super-heróis e também podem enfrentar depressão, ansiedade, abuso de substâncias e outros transtornos mentais e, muitas vezes, demoram a reconhecer o próprio sofrimento ou procurar atendimento por medo de julgamento, vergonha ou culpa. “Doença mental não é falta de fé, falta de força de vontade, falta de vocação, falha moral. É uma questão de saúde, e precisa ter cuidado”, diz o documento.
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Pesquisa nacional com 4.148 médicos brasileiros identificou que quase um em cada três participantes relatou ideação suicida em algum momento da vida. O estudo também encontrou relatos de planos e tentativas de suicídio, além de associação com exaustão emocional e frustração no trabalho.
Entre os fatores que podem aumentar a vulnerabilidade estão longas jornadas de trabalho, plantões noturnos e privação de sono, múltiplos vínculos profissionais, contato frequente com dor e morte, pressão por desempenho, medo de errar e dificuldade de conciliar a vida pessoal e profissional.
A cartilha também chama a atenção para a responsabilidade das instituições. Hospitais, clínicas, universidades, residências médicas e gestores devem promover ambientes mais seguros, com prevenção do burnout, combate ao assédio, redução do estigma e acesso facilitado ao cuidado especializado.