Evento abordou formação profissional, questões éticas e legais, mercado de trabalho, inovação e saúde masculina
Os desafios atuais e as perspectivas para o futuro da urologia estiveram no centro dos debates do I Fórum de Urologia do Conselho Federal de Medicina (CFM), realizado nesta terça-feira (27), em Brasília. Com o tema central “A Urologia e as Novas Perspectivas da Especialidade”, o encontro abordou questões relacionadas à formação do especialista, à atuação profissional, ao mercado de trabalho e à incorporação de novas técnicas e tecnologias. Atualmente, há mais de 6,2 mil urologistas no País.
A abertura contou com a participação do presidente do CFM, José Hiran Gallo; e do coordenador da Câmara Técnica de Urologia do CFM, José Elêrton.
Durante sua manifestação, o presidente do CFM destacou o centenário da SBU e a importância de conciliar os avanços científicos e tecnológicos com a valorização profissional e a qualidade da formação médica. “Cada inovação exige preparo, avaliação criteriosa e responsabilidade. A tecnologia deve servir ao paciente, com indicação adequada, treinamento e segurança. A decisão clínica precisa permanecer amparada no conhecimento científico, na experiência do médico e nas necessidades de cada pessoa”, afirmou Gallo.
Elêrton enfatizou a necessidade de promover um diálogo permanente sobre os desafios da especialidade, considerando não apenas os avanços tecnológicos, mas também as condições de trabalho, a formação profissional e a responsabilidade ética. “O futuro da urologia não depende apenas dos avanços científicos e tecnológicos. Depende, igualmente, da qualidade da formação, da valorização dos profissionais, do respeito à ética médica e da capacidade de construir soluções conjuntas para os desafios da assistência”, disse.

Desafios da especialidade – Já a conselheira federal Maíra Dantas chamou a atenção para a importância do protagonismo dos urologistas na gestão e na identificação dos problemas estruturais do sistema de saúde. Para ela, a ocupação de espaços de liderança é fundamental para que os profissionais possam contribuir diretamente para o diagnóstico e a solução das dificuldades que afetam a assistência, evitando a responsabilização indevida dos médicos por problemas que ultrapassam sua atuação individual. “A melhor defesa dos médicos urologistas é o exercício da liderança em postos que lhes permitam identificar, explicar e sanar as verdadeiras mazelas do sistema de saúde, evitando que as culpas recaiam injustamente sobre a especialidade e sobre os médicos”, afirmou.
Saúde masculina – O conselheiro federal Carlos Magno Dalapicola abordou os desafios para a efetivação de uma assistência integral à saúde masculina, destacando as limitações impostas pelo tempo de consulta e pela fragmentação do cuidado. Segundo ele, embora a urologia desempenhe papel fundamental na saúde do homem, é necessário reconhecer que a atenção integral depende da articulação entre diferentes especialidades e de condições adequadas de atendimento.
Residências médicas – O conselheiro federal José Eduardo Dolci destacou a necessidade de ampliar a formação de médicos especialistas no Brasil sem comprometer a qualidade do ensino. Para ele, a expansão dos centros de treinamento representa uma alternativa para aumentar o número de profissionais qualificados, especialmente diante da concentração regional dos programas de residência médica e da ociosidade de vagas e estruturas de formação. Dolci também chamou a atenção para a baixa remuneração dos médicos residentes, que atualmente recebem uma bolsa de valor líquido de cerca de R$ 4,1 mil e defendeu a valorização da residência médica como principal caminho para a especialização.