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O Conselho Federal de Medicina (CFM) promoveu, nesta sexta-feira (27), o IV Webinar de Integração do Médico Jovem, com foco na discussão sobre os desafios da educação médica no Brasil e a valorização dos profissionais em início de carreira. Com o tema “Educação Médica na valorização do médico jovem”, o evento reuniu especialistas para analisar dados recentes e apontar caminhos para a qualificação da formação médica no país.

Ao longo da programação, destacou-se que o Brasil vive um momento de expansão acelerada dos cursos de medicina, acompanhado por desafios crescentes relacionados à qualidade da formação. Durante palestra sobre o ensino médico com base em dados do exame nacional (Enamed), o endocrinologista e ex-presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, Paulo Augusto Miranda, afirmou que os resultados observados não são surpreendentes, mas consequência de um processo histórico.

Segundo ele, embora a expansão do número de cursos tenha atingido seus objetivos quantitativos, persistem distorções importantes. “A meta de expansão foi alcançada, mas houve uma transformação da formação médica em um mercado rentável. A qualidade hoje é o grande desafio”, afirmou.

Miranda também chamou atenção para o aumento expressivo no número de cursos e egressos nos últimos anos, além da predominância de instituições privadas com fins lucrativos. Para ele, o cenário atual exige mudanças estruturais. “Mais médicos não significa melhor saúde se parte deles é formada sem padrões mínimos de excelência e segurança”, alertou.

A discussão foi aprofundada por debatedores que reforçaram a necessidade de revisão das políticas públicas para formação médica. A endocrinologista Milena Coelho Fernandes Caldato destacou que os resultados do exame refletem problemas já conhecidos no meio acadêmico. “Os dados chamam a atenção, mas deveriam causar incômodo principalmente nos gestores que autorizam novos cursos. Precisamos desacelerar essa expansão”, afirmou.

Representando os estudantes, Gabriel Sanchez Okida, presidente da Associação dos Estudantes de Medicina do Brasil (AEMED-BR), também apontou preocupações com a qualidade do ensino. “Muitas faculdades foram abertas sem compromisso com a qualidade, com finalidade política ou financeira”, avaliou.

Outro ponto central do evento foi o debate sobre a proficiência profissional como instrumento de valorização do médico jovem. Em palestra sobre o tema, o conselheiro federal Antônio Henriques de França Neto (PB) ressaltou que a avaliação de competências é fundamental para garantir segurança à população e reconhecimento aos profissionais bem formados.

“A proficiência vai além de uma prova. Ela representa a capacidade do médico de exercer a profissão com segurança, responsabilidade e ética. Não é uma punição, é um mecanismo de valorização”, explicou. Ele também destacou que o crescimento acelerado do número de escolas médicas exige maior rigor na regulação. “Quantidade sem qualidade aprofunda desigualdades e ameaça a segurança do paciente”, disse.

Durante os debates, o conselheiro federal Diogo Leite Sampaio (MT) enfatizou a percepção da sociedade sobre o tema. “Após os resultados do Enamed, ficou claro para a população que há fragilidades na formação. A avaliação de proficiência tende a aumentar a confiança na medicina e valorizar o bom profissional”, afirmou.

A conselheira Ivna Deise Amanajás (AP) também reforçou o caráter não punitivo da proposta. “O objetivo é valorizar e qualificar o médico jovem, garantindo que ele esteja preparado para o mercado de trabalho e para atender a população com segurança”, destacou.

O conselheiro Carlos Magno (ES)ressaltou que o CFM não se opõe à criação de escolas médicas, mas defende critérios rigorosos de qualidade. “O Conselho não é contra a abertura de cursos, mas é contrário à formação sem condições adequadas. O objetivo é garantir que o médico tenha preparo para exercer a profissão com qualidade”, afirmou.

O webinar reforçou a necessidade de uma ação conjunta entre Estado, instituições de ensino, entidades médicas e sociedade para elevar o padrão da educação médica no país, com foco na segurança do paciente e na valorização do exercício profissional.

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