A Comissão de Médicos Generalistas do Conselho Federal de Medicina (CFM) realizou, nesta quinta-feira (26), reunião presencial dedicada à apresentação e ao debate de programa de atualização voltado aos médicos generalistas, iniciativa que será desenvolvida pela autarquia com foco especial na atuação em urgência e emergência.
Durante o encontro, foi apresentada a visão geral do projeto, com aspectos como eixos estruturantes, metodologia, proposta de formato, avaliação, certificação e impacto esperado. A meta central, segundo os participantes, é promover mudança concreta na realidade da assistência, capacitando médicos que hoje atuam sem Registro de Qualificação de Especialista (RQE).
Um dos pontos centrais do debate foi a necessidade de reconhecer o chamado “Brasil real”, em que aproximadamente metade dos médicos não possui RQE e a outra metade está distribuída em diferentes especialidades. Nesse contexto, muitos profissionais iniciam a carreira em serviços de urgência e emergência — ambientes de alta demanda, complexidade e responsabilidade.
O objetivo geral do programa é fortalecer a capacidade do médico generalista de identificar precocemente situações críticas, realizar as primeiras abordagens com segurança e encaminhar adequadamente os pacientes. “O nosso propósito é oferecer ferramentas práticas e alinhadas à realidade dos serviços brasileiros, incluindo cenários comuns no interior do país, onde o médico muitas vezes atua com recursos limitados e equipes reduzidas”, pontuou o conselheiro federal Mauro Ribeiro, coordenador da comissão.
Durante a reunião, foi enfatizado que o Brasil forma milhares de médicos por ano, enquanto o número de vagas de residência médica é insuficiente para absorver todos os egressos. Estima-se que haja atualmente cerca de 350 mil médicos sem especialidade, contingente que tende a crescer. “Nesse cenário, a capacitação estruturada dos generalistas é medida estratégica para garantir qualidade assistencial à população e preservar o futuro da medicina no país”, enfatizou Ribeiro.
Ao final do encontro, ficou estabelecido que o programa seguirá em fase de aprimoramento. Para o CFM, a iniciativa deve ter propósito claro: não apenas oferecer conteúdo, mas contribuir para uma transformação concreta na formação e na prática médica dos generalistas brasileiros.