Webinar aborda diagnóstico precoce, novas terapias, cirurgia metabólica e assistência especializada a crianças e adolescentes
O Conselho Federal de Medicina (CFM) realizou, nesta sexta-feira (2), o I Webinar de Endocrinologia Pediátrica e debateu sobre o enfrentamento da obesidade infantil, o diagnóstico do diabetes tipo 1, as possibilidades de tratamento e os desafios para ampliar o acesso à assistência especializada no Sistema Único de Saúde (SUS).

O conselheiro federal Bruno Leandro de Souza, coordenador da Câmara Técnica de Endocrinologia e Metabologia do CFM, destacou a importância da especialidade no acompanhamento do crescimento, desenvolvimento, puberdade e doenças metabólicas. “A endocrinopediatria trata de crescimento, desenvolvimento, puberdade, doenças metabólicas e da maior pandemia do século: que é a obesidade (e diabetes). É um tema central e a gente precisa trazê-lo para o centro do palco das grandes discussões”, afirmou.
Ele defendeu ainda a ampliação do acesso a consultas, medicamentos, insumos e novas tecnologias, em conformidade com os princípios de universalidade, integralidade e equidade do SUS. “Temos que lutar pelo acesso às questões mais simples, como o primeiro acesso ao médico na unidade de saúde, ao pediatra e ao endocrinopediatra, assim como pelo acesso aos insumos mais simples, como seringa e agulha, e depois brigar pelas novas tecnologias e as medicações mais complexas”, disse.
Os participantes do evento destacaram que a obesidade pediátrica é uma doença crônica, e a intensidade do tratamento deve considerar a gravidade do quadro e os riscos associados, sem aguardar necessariamente o desenvolvimento de complicações. A cirurgia metabólica também constitui uma alternativa terapêutica para adolescentes criteriosamente selecionados com obesidade grave.
A Resolução CFM nº 2.429/2025 contempla, entre as técnicas altamente recomendadas, o bypass gástrico em Y de Roux e a gastrectomia vertical (sleeve). Para adolescentes acima de 14 e abaixo de 16 anos, a cirurgia pode ser considerada excepcionalmente em casos de obesidade grave, com IMC superior a 40 e complicações clínicas que representem risco de vida, mediante avaliação multidisciplinar e consentimento dos responsáveis. Entre 16 e 18 anos, podem ser aplicados os critérios estabelecidos para adultos, com decisão compartilhada entre equipe médica, adolescente e responsáveis.

Acesso e humanização da assistência – O conselheiro federal Eduardo Jorge Lima chamou a atenção para a concentração de especialistas nos grandes centros urbanos e defendeu a disseminação de protocolos, o diagnóstico precoce e a ampliação do acesso ao tratamento em todas as regiões do país.
Outro ponto destacado foi a importância do combate ao estigma relacionado à obesidade. A utilização de uma linguagem inclusiva e centrada na pessoa, com expressões como “criança ou adolescente com obesidade”, evita rótulos e julgamentos que podem comprometer a relação médico-paciente. Além da comunicação verbal, o acolhimento deve estar presente na estrutura dos serviços de saúde, com macas, cadeiras e braçadeiras de pressão adequadas a diferentes características corporais. Essas medidas contribuem para um ambiente respeitoso, seguro e livre de estigmatização, no qual o cuidado vai além do tratamento clínico.