Câmara Técnica discute medidas para ampliar a formação de especialistas, valorizar a carreira e fortalecer a assistência neonatal no país.
A Câmara Técnica de Neonatologia do Conselho Federal de Medicina (CFM) reuniu-se nesta sexta-feira (31) para discutir propostas voltadas ao fortalecimento da área de atuação em Neonatologia, com foco na ampliação qualificada da residência médica e na fixação de especialistas em regiões de maior necessidade assistencial. Durante o encontro, os integrantes debateram diretrizes para enfrentar a baixa atratividade da especialidade e o preenchimento insuficiente das vagas de residência médica.
De acordo com o coordenador da Câmara Técnica de Neonatologia, Eduardo Jorge da Fonseca Lima (foto), conselheiro federal pelo estado de Pernambuco, o desafio exige medidas estruturantes e não pode ser enfrentado apenas com a abertura de novas vagas de residência. “Há uma necessidade de um olhar especial para a Neonatologia. Não adianta achar que se pode criar uma vaga de residência da noite para o dia. É necessário desenvolver políticas de estímulo. A expansão da residência deve ser qualificada e não meramente quantitativa”, afirmou.
Durante a reunião, foram apontados três gargalos principais para a formação e permanência de neonatologistas no país: a baixa atratividade da área, a concentração regional de especialistas e a insuficiência de incentivos para a permanência desses profissionais em serviços de maior complexidade. Também foi destacado o desinteresse de parte dos jovens pediatras em seguir a subespecialização em Neonatologia, cenário que pode comprometer a assistência ao recém-nascido nos próximos anos.
Como alternativas para reverter esse quadro, a Câmara Técnica defendeu a adoção de políticas públicas voltadas à valorização da especialidade, incluindo a criação de bolsas complementares para residentes, nos moldes das já existentes para outras áreas, além da melhoria da remuneração e de incentivos para a fixação dos especialistas em regiões com maior carência assistencial. O grupo também propôs que a Neonatologia passe a ser considerada área prioritária nas políticas de formação médica.
“O médico que atua em Neonatologia percorre uma longa trajetória de formação, com seis anos de graduação e mais cinco anos de residência. É preciso reconhecer esse esforço e valorizar esse profissional para garantir uma assistência qualificada aos recém-nascidos em todo o país”, destacou Eduardo Jorge
Ao final da reunião, foi apresentada aos membros da Câmara Técnica a programação preliminar do Fórum de Pediatria e Neonatologia do CFM, previsto para o dia 13 de novembro, na sede da autarquia, em Brasília. O evento terá como tema central “Ética, Ensino e os Grandes Desafios à Assistência ao Recém-Nascido”.