Evento reuniu especialistas para discutir diagnóstico precoce, incorporação de tecnologias, judicialização e formação profissional
O Conselho Federal de Medicina (CFM) realizou, nesta quinta-feira (8), o I Webinar de Oncologia Clínica, com o tema “Melhorar e efetivar as terapias oncológicas já homologadas”. O encontro reuniu especialistas e gestores públicos para discutir os principais desafios da assistência oncológica no Brasil, incluindo prevenção, diagnóstico precoce, inovação tecnológica, judicialização e formação de especialistas.
Na abertura, o presidente em exercício do CFM, Emmanuel Fortes, destacou a relevância das discussões. “O conteúdo é extremamente maduro e pertinente, em sintonia com as necessidades da população”, afirmou, manifestando a expectativa de que os debates contribuam para o aprimoramento da prática médica e da assistência aos pacientes.
O coordenador da Câmara Técnica de Oncologia Clínica do CFM, João Helio Leonardo de Sousa, chamou a atenção para os obstáculos que dificultam o acesso ao diagnóstico e ao tratamento do câncer, como desigualdades entre os sistemas público e privado, incorporação lenta de tecnologias e desabastecimento de medicamentos. “A oncologia não pode ser um privilégio de poucos. Ela é uma prioridade sanitária e um compromisso ético da medicina brasileira”, afirmou.
Prevenção, inovação e autonomia médica – Durante o evento, os especialistas destacaram a urgência de fortalecer a prevenção e o diagnóstico precoce. O Brasil registra uma estimativa de 704 mil novos casos de câncer por ano, no período de 2023 a 2025, e projeções indicam crescimento de 65% na incidência nos próximos 20 anos. As discussões também abordaram a organização da linha de cuidado e a importância de ampliar o acesso oportuno às terapias oncológicas.
O vice-corregedor do CFM, Francisco Cardoso, ressaltou a importância da ética e da autonomia médica na relação com os pacientes. Segundo o conselheiro, a liberdade técnica deve estar fundamentada em evidências científicas e acompanhada de responsabilidade profissional. Ele destacou ainda que protocolos e regras administrativas não devem substituir o julgamento clínico individualizado, sendo fundamentais o consentimento informado e a decisão compartilhada.
Formação de especialistas – A formação profissional também integrou a programação. O país conta com 4.870 especialistas em Oncologia Clínica, o equivalente a 2,29 profissionais por 100 mil habitantes. Entre 2018 e 2024, o número de especialistas cresceu 36%, enquanto o total de residentes do primeiro ano passou de 190 para 245, aumento de aproximadamente 29%.
O encontro foi encerrado com uma discussão sobre a construção de uma agenda mínima para a oncologia brasileira, com foco na ampliação do acesso aos tratamentos, na qualidade assistencial e no fortalecimento da formação especializada.