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Prevenção de eventos adversos, gestão de riscos e fortalecimento de uma cultura institucional voltada ao aprendizado. Estes foram os principais pontos debatidos pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), nesta quarta-feira (7), no V Fórum de Segurança do Paciente. Com o tema central “Segurança Psicológica e Cultura Justa para Melhoria do Aprendizado Organizacional”, o encontro reuniu especialistas e representantes de diferentes áreas para discutir estratégias capazes de tornar a assistência mais segura, com atenção à cultura de segurança, à prevenção de eventos adversos, à gestão de riscos e aos desafios éticos envolvidos no cuidado.

Na abertura, o presidente em exercício do CFM, Emmanuel Fortes, destacou que as medidas de segurança não devem ser encaradas apenas como exigências burocráticas. Para ele, é necessário promover o envolvimento dos profissionais e a compreensão de que o cumprimento dos protocolos protege tanto o paciente quanto quem presta a assistência. “O primeiro protegido é quem aplica as regras em proteção ao paciente”, afirmou. Segundo Cavalcanti, essa perspectiva deve alcançar a prática clínica, cirúrgica e o próprio funcionamento das instituições de saúde.

A conselheira federal e membro da Comissão de Segurança do Paciente do CFM, Maíra Pereira Dantas, ressaltou a importância de substituir uma lógica meramente punitiva por uma cultura justa, capaz de identificar falhas e transformá-las em oportunidades de melhoria. “É preciso trabalhar a segurança do paciente com a cultura justa, sem a cultura punitiva, com correção das falhas de processo, oportunidades de melhoria e congregando a equipe interdisciplinar de cuidados para esse fim”, afirmou. Segundo ela, o CFM continuará atuando para que as instituições brasileiras ofereçam assistência cada vez mais segura.

Já o conselheiro federal e coordenador da Câmara Técnica de Pediatria do CFM, Eduardo Jorge Lima, associou diretamente segurança do paciente e qualidade assistencial. “Instituição que não erra não é uma instituição real. Agora, uma instituição que aprende com seus erros, que transforma a cultura de segurança na sua rotina, é uma instituição que consegue reverter isso em uma assistência efetivamente mais segura para o paciente”, declarou. Ele destacou três eixos para essa transformação: desenvolvimento da cultura de segurança, fortalecimento dos núcleos de segurança do paciente e criação e acompanhamento de indicadores capazes de traduzir os protocolos em mudanças efetivas de práticas e atitudes.

Gestão de riscos – Ex-coordenador da Comissão de Segurança do Paciente do CFM, o conselheiro federal Carlos Magno Dalapicola abordou estratégias de gestão de risco no ambiente hospitalar. Entre os pontos discutidos no evento estiveram os erros de medicação, que podem estar associados a fatores como nomes e embalagens semelhantes, problemas de rotulagem, uso de abreviações nas prescrições, vieses cognitivos e elevada carga de trabalho. Entre as medidas preventivas destacadas estão a redução de interrupções durante a administração dos medicamentos e a realização de dupla verificação independente.

Outro aspecto abordado foi o próprio ambiente hospitalar como camada de proteção. Na área psiquiátrica, por exemplo, a segurança envolve tanto adaptações da estrutura física quanto rotinas institucionais, especialmente diante de pacientes com risco de autoagressão. Entre as estratégias apresentadas estão a avaliação sistemática de pontos de ancoragem, a adoção de mobiliário e dispositivos resistentes a ligaduras em unidades psiquiátricas e o controle de objetos potencialmente perigosos na admissão. As rotinas incluem ainda a avaliação de pertences levados por visitantes, protocolos seguros para o transporte entre setores e a definição do nível de observação do paciente conforme a estratificação de risco, inclusive fora das unidades psiquiátricas.

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