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O Conselho Federal de Medicina (CFM) realizou o I Fórum de Cirurgia Bariátrica e Metabólica nesta sexta-feira (20), com o tema central “Tratamento da obesidade e cirurgia bariátrica no SUS”. O evento reuniu especialistas e membros da Câmara Técnica de Cirurgia Bariátrica e Metabólica da autarquia para discutir desafios estruturais da rede pública, evidências científicas, critérios de indicação e estratégias para garantir acesso qualificado e seguimento de longo prazo aos pacientes com obesidade.

Na abertura dos debates no período da tarde, sobre regulação profissional, qualidade e segurança, o médico Igor Marreiros destacou os entraves gerados pela baixa integração entre os níveis de atenção e pelos sistemas de informação não interoperáveis. Segundo ele, a desconexão entre tenção básica, regulação e serviços hospitalares provoca atrasos na autorização de procedimentos, retrabalho, perda de histórico clínico e dificuldades no acompanhamento dos pacientes.

Ao tratar do impacto sistêmico da cirurgia bariátrica e metabólica, o médico Álvaro Albano apresentou evidências sobre a redução da mortalidade e a melhora de comorbidades associadas à obesidade após o tratamento cirúrgico. Para ele, a cirurgia bariátrica e metabólica é uma estratégia custo-efetiva, pois o investimento pontual tende a ser compensado pela redução de gastos recorrentes com o tratamento de complicações crônicas ao longo do tempo, além do ganho em anos de vida ajustados pela qualidade.

O seguimento de longo prazo no SUS foi abordado pelo médico Herbert Motta, que enfatizou que o acompanhamento pós-operatório é parte indissociável do tratamento. Ele destacou a necessidade de um cuidado longitudinal, multiprofissional e protocolado por normas federais, com monitoramento clínico e nutricional, registro estruturado e rastreabilidade assistencial. Herbert alertou ainda para a previsibilidade de complicações tardias, como deficiências nutricionais persistentes, sintomas gastrointestinais crônicos, impactos na saúde mental e reganho de peso no longo prazo, o que exige vigilância ativa e intervenção precoce.

Durante a discussão sobre evidências científicas, critérios de indicação e implementação segura da cirurgia no SUS, o médico Ricardo Cohen defendeu a ampliação do acesso ao procedimento com base em critérios clínicos e metabólicos, e não apenas no índice de massa corporal (IMC). Segundo ele, a mortalidade cumulativa aumenta de forma significativa com cada ano de espera, o que reforça a necessidade de priorização inteligente dos casos mais graves. O especialista apontou como caminhos a concentração de procedimentos em centros de excelência, com alto volume cirúrgico e equipes multidisciplinares completas, a fim de reduzir complicações e custos.

A integração do cuidado ao longo da rede assistencial foi o foco da apresentação do médico Gustavo Miguel, que abordou o papel da Atenção Primária à Saúde como porta de entrada preferencial e eixo estruturante do cuidado à obesidade no SUS. Ele destacou que, por estar inserida no território, a APS tem potencial para identificar fatores de risco precocemente e promover ações preventivas e contínuas. No entanto, alertou que, apesar das iniciativas adotadas nos últimos anos, a prevalência da obesidade segue em crescimento, o que exige maior articulação entre os níveis de atenção e fortalecimento das estratégias de cuidado integral.

Encerrando o evento, Igor Marreiros também abordou a importância da decisão baseada em dados, defendendo a criação e o fortalecimento de registros, a padronização de desfechos e a governança clínica como ferramentas essenciais para sustentar políticas públicas no SUS. Segundo ele, o uso sistemático de dados permite planejar melhor a alocação de recursos, identificar desigualdades regionais e subsidiar a formulação de protocolos clínicos e diretrizes nacionais, além de fomentar pesquisas epidemiológicas e a avaliação contínua da qualidade assistencial.

Ao final, o coordenador da Câmara Técnica de Cirurgia Bariátrica e Metabólica, Antônio Henriques Neto, reforçou que o enfrentamento da obesidade no SUS exige uma abordagem integrada, contínua e baseada em evidências, com fortalecimento da rede assistencial, qualificação dos serviços e uso estratégico da informação como pilares para a construção de uma política pública mais efetiva, segura e sustentável para os pacientes.

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20 Feb 2026
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