O Conselho Federal de Medicina (CFM) chama a atenção da população para a importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer colorretal, também conhecido como câncer de intestino, uma das doenças mais incidentes e letais no país. A autarquia apoia as iniciativas de conscientização realizadas ao longo do mês de março e reforça seu papel na defesa da assistência médica de qualidade.
O conselheiro federal pelo estado do Maranhão e gastroenterologista Nailton Jorge Ferreira Lyra destaca: “O Brasil ainda não possui um programa nacional de rastreamento do câncer colorretal totalmente implementado no Sistema Único de Saúde (SUS), mas diretrizes estão sendo desenvolvidas para uma possível implementação neste ano”.
Segundo Lyra, a conscientização é fundamental para mudar esse cenário: “O objetivo do rastreamento é detectar lesões pré-cancerosas, chamadas pólipos ou câncer em estágio inicial, o que aumenta significativamente as chances de cura. O câncer colorretal é uma doença silenciosa, mas que tem altas chances de cura quando identificado precocemente. Por isso, é fundamental que a população esteja atenta aos fatores de risco e procure orientação médica regularmente, especialmente a partir dos 45 anos ou em casos de histórico familiar. A prevenção e o diagnóstico oportuno são determinantes para salvar vidas.”

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Alerta – Quando a gente deve se preocupar? Lyra responde: “Quando você tem alterações no hábito intestinal, uma alternância entre a diarreia e constipação. Quando você tem um sangue nas fezes, quando você tem dor abdominal, perda de peso sem causa aparente. Isso exige uma investigação, mesmo que o paciente esteja fora da faixa etária de rastreamento”.
Dados – A campanha Março Azul indica que o câncer de intestino é o terceiro mais letal no Brasil, com cerca de 20 mil mortes por ano. O câncer colorretal engloba tumores que se desenvolvem no intestino grosso, nas regiões do cólon, reto e ânus.
Dados do Ministério da Saúde apontam que, entre 2023 e 2026, foram registrados mais de 120 mil casos de neoplasias de cólon, reto, junção retossigmoide e ânus no país. A análise por faixa etária mostra um aumento significativo a partir dos 45 anos, com crescimento progressivo dos casos nas décadas seguintes, especialmente entre pessoas com mais de 50 anos. Também se observa distribuição semelhante entre homens e mulheres, com leve predominância no sexo feminino.
Além disso, os números evidenciam a ampla distribuição dos casos em todo o território nacional, com maior concentração em estados mais populosos, como São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, o que reforça a necessidade de pensar políticas públicas que ampliam o acesso ao diagnóstico e tratamento em todas as regiões do país.
Ao destacar a importância da informação qualificada e do acompanhamento médico, o CFM reafirma seu compromisso com a saúde da população brasileira e com a promoção de uma medicina cada vez mais preventiva, resolutiva e baseada em evidências.
