O Conselho Federal de Medicina (CFM) abriu, nesta terça-feira (31), a primeira edição do Fórum de Cirurgia do Aparelho Digestivo, reunindo especialistas de todo o país para discutir a evolução, os desafios e as perspectivas futuras da área. Ao longo da programação, lideranças médicas destacaram a necessidade de qualificação profissional, fortalecimento da residência médica e incorporação responsável de novas tecnologias na prática cirúrgica. Para assistir o evento na íntegra, clique aqui.

Ao dar início aos trabalhos, o 1º vice-presidente do CFM, Emmanuel Fortes Silveira Cavalcanti, ressaltou o papel da autarquia como espaço de debate qualificado sobre temas estratégicos para a medicina. “O CFM deve ser uma caixa de consonância para os temas mais relevantes do exercício seguro da medicina. Ao promover eventos dessa magnitude, reafirmamos nosso compromisso com a ética, a qualidade assistencial e a excelência da medicina brasileira”, afirmou, reforçando a defesa da residência médica como padrão ouro na formação de profissionais.
Na sequência, o coordenador da Câmara Técnica de Cirurgia do Aparelho Digestivo do CFM, Nailton Jorge Ferreira Lyra, destacou que a especialidade atingiu alto grau de complexidade, impulsionada por avanços tecnológicos e pela crescente necessidade de superespecialização. “Este fórum nasce com três objetivos: refletir, alinhar e avançar. A medicina não permite estagnação, e os desafios atuais exigem responsabilidade e compromisso com o melhor para o paciente”, pontuou.

Evolução da especialidade e foco na formação – A conferência de abertura trouxe um panorama histórico da cirurgia do aparelho digestivo no Brasil e o papel das entidades médicas na consolidação da área. O presidente do Colégio Brasileiro de Cirurgia Digestiva, Paulo Kassab, enfatizou a importância do compartilhamento de conhecimento e da atuação institucional na qualificação profissional.
Já o presidente eleito da entidade, Paulo Herman, direcionou a discussão para o futuro da especialidade, com ênfase na formação de especialistas. Ele defendeu maior rigor na certificação, fortalecimento da residência médica e ampliação de programas de educação continuada. “Precisamos elevar o nível da formação. Programas mais qualificados resultam em especialistas mais preparados e em cirurgias mais seguras”, afirmou.

Desigualdade na distribuição de especialistas – No primeiro painel do evento, dedicado à caracterização da especialidade, o membro da Câmara Técnica do CFM Ramiro Colleoni Neto apresentou um panorama nacional da especialidade, evidenciando desafios estruturais relevantes. Segundo os dados apresentados, o Brasil conta com 3.732 especialistas em cirurgia do aparelho digestivo, com forte concentração nas regiões Sul e Sudeste e nas capitais. A distribuição desigual e a baixa participação feminina — atualmente em torno de 15,5% — foram apontadas como pontos de atenção.
Avanços tecnológicos e desafios na formação – A discussão sobre inovação ficou a cargo do professor Richard Gurski, que apresentou a evolução tecnológica da especialidade nas últimas décadas, com destaque para cirurgia robótica, transplantes, endoscopia digestiva e nutrologia. Ele apontou que o Brasil consolidou posição de liderança na América Latina em áreas como transplantes e cirurgia minimamente invasiva, além de registrar crescimento expressivo no número de procedimentos robóticos.

Inserção no sistema de saúde e papel institucional – Encerrando a manhã, o segundo painel abordou a inserção do cirurgião digestivo no Sistema Único de Saúde (SUS) e na saúde suplementar. Representando a Associação Médica Brasileira (AMB), José Eduardo Dolci chamou atenção para a existência de vagas ociosas em programas de residência e para a necessidade de melhor distribuição de especialistas pelo território nacional.
No âmbito do CFM, o conselheiro Nailton Lyra (MA) destacou o papel institucional da autarquia na regulação ética e técnica da especialidade e na promoção de debates qualificados. “A Câmara Técnica de Cirurgia do Aparelho Digestivo atua como espaço estratégico de interlocução entre especialistas e o Conselho, contribuindo para a formulação de diretrizes e o fortalecimento da assistência médica”, ressaltou.
Também participou do painel o Secretário Adjunto de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde, Jersey Timoteo Ribeiro Santos. Representante do Ministério da Saúde, ele apresentou o Programa Nacional de Redução de Filas e o Agora Tem Especialistas, iniciativas voltadas à ampliação do acesso à atenção especializada e à redução de filas cirúrgicas no país, reforçando a necessidade de atuação integrada entre gestores e profissionais de saúde.