O Conselho Federal de Medicina (CFM) divulgou, nessa quarta-feira (13), a “Carta de Campina Grande”, documento elaborado no VI Fórum da Comissão de Integração do Médico Jovem do CFM, realizado na cidade paraibana. Entre os principais encaminhamentos estão propostas para o fortalecimento da pauta do médico jovem como agenda permanente no Sistema Conselhal, criação de um observatório nacional sobre formação e mercado de trabalho, ampliação do debate sobre residência médica, enfrentamento da violência e da precarização no ambiente profissional, além de ações voltadas à saúde mental, ao uso ético da inteligência artificial e à orientação para o início da carreira médica. Cerca de 41% dos 682 mil médicos ativos no País têm até 10 anos de formado.
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A carta também propõe fortalecer a integração latino-americana dos médicos jovens, em articulação com a Confederação Médica Latino-Ibero-Americana (Confemel), promovendo cooperação, intercâmbio e produção de dados regionais. O texto destaca que o médico jovem brasileiro já ocupa papel central na assistência à população, atuando em plantões, unidades básicas de saúde, emergências, hospitais, residências médicas, consultórios, pesquisas e entidades médicas. “O médico jovem não é apenas o futuro da medicina brasileira. Ele já é parte decisiva do presente”, afirma o documento, que também ressalta a importância da preservação da autonomia médica e do fortalecimento da responsabilidade ética na prática profissional.
O coordenador da Comissão de Integração do Médico Jovem do CFM, Bruno Leandro de Souza, reforçou que o protagonismo dos médicos jovens deve ir além da atuação assistencial. “Empreender na medicina não significa mercantilizar o ato médico. Toda iniciativa profissional deve respeitar os limites éticos definidos pelo CFM, preservar a dignidade da profissão, proteger a relação médico-paciente e manter o cuidado como finalidade maior da atividade médica”, observa o conselheiro.
O documento propõe ainda medidas voltadas ao enfrentamento da precarização do trabalho médico, do assédio e da violência laboral, bem como ações de orientação para o início da vida profissional, incluindo temas como ética médica, contratos, publicidade, educação financeira e responsabilidade civil. Outro ponto destacado é o uso ético, seguro e responsável da inteligência artificial e das novas tecnologias aplicadas à medicina. A carta reafirma que o médico deve permanecer como responsável final pelas decisões clínicas, preservando a centralidade do paciente na assistência.