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Há alguns anos, o uso da cúrcuma (ou açafrão-da-terra) ganhou notoriedade por suas propriedades antioxidantes. No entanto, pesquisas recentes identificaram relatos de hepatotoxicidade (danos ao fígado) associados ao uso oral de produtos com extratos concentrados de cúrcuma longa ou curcumina, o que levou autoridades sanitárias do Canadá, França, Alemanha, Itália e Austrália a publicarem alerta. No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou recentemente ações preventivas e publicou um alerta nacional sobre o tema. Acesse AQUI

Segundo a Anvisa, as avaliações internacionais indicam que os casos de hepatotoxicidade são raros, mas podem ser graves, com evolução, em alguns relatos, para insuficiência hepática e óbito. O risco está associado ao uso de produtos orais contendo extratos de cúrcuma ou curcuminoides, e não ao uso da cúrcuma como alimento (tempero) ou aditivo alimentar em quantidades usuais.

No ponto de vista de segurança, é preciso um cuidado maior com as concentrações elevadas ou com aumento da biodisponibilidade da curcumina. Pessoas com doenças hepáticas ou biliares ou em uso de determinados medicamentos, também devem ficar atentas aos sinais e sintomas como icterícia (pele e olhos amarelados); urina escura; náusea e vômito; fadiga intensa; perda de apetite e dor abdominal. Em casos raros, essas alterações podem evoluir para insuficiência hepática.

“Não há evidências de risco associado ao consumo da cúrcuma como alimento (tempero) e aditivo alimentar, e os casos descritos internacionalmente referem-se principalmente ao uso de produtos contendo extratos concentrados”, explica a Anvisa em nota.

De acordo com a Anvisa, está autorizado o extrato dos rizomas de cúrcuma longa como fonte da substância bioativa curcumina no limite máximo de 130 mg/dia de curcumina. Já os tetraidrocurcuminoides obtidos de cúrcuma longa estão autorizados no limite máximo de 120 mg/dia.

A Anvisa também esclarece que, nos suplementos alimentares, não são permitidas alegações de benefícios atribuídos aos efeitos da curcumina na saúde, nem qualquer indicação terapêutica ou medicinal. Diz, também, que a substância piperina, frequentemente utilizada internacionalmente para aumentar a biodisponibilidade da curcumina, não está autorizada para uso como ingrediente em suplementos alimentares no Brasil.

Tempero – A primeira grande orientação à população é de que não há motivo para banir a cúrcuma da cozinha. O risco está estritamente associado ao consumo de extratos concentrados (pílulas e suplementos). O uso da cúrcuma em sua forma natural, como tempero ou aditivo alimentar nas quantidades usuais da culinária, não apresenta nenhuma evidência de risco e segue liberado.

Piperina – O principal ponto de atenção das agências regulatórias envolve o uso de tecnologias ou combinações criadas para aumentar a “biodisponibilidade” da curcumina — ou seja, técnicas que fazem o corpo absorver a substância de forma muito mais intensa e rápida do que o normal. Agências europeias destacam que misturar a cúrcuma com piperina (composto da pimenta-do-reino) ou utilizar formulações avançadas (como nanopartículas ou formas micelares) altera o perfil de segurança do produto. Essa absorção turbinada pode sobrecarregar o fígado e disparar efeitos adversos graves, mesmo que a dose pareça segura. No Brasil, misturas como a piperina e essas tecnologias de alta absorção não são autorizadas para suplementos, mas a internet está cheia de receitas caseiras que prometem “potencializar os efeitos” da cúrcuma. A recomendação clara é: evite essas práticas.

Quem NÃO deve consumir suplementos de cúrcuma?

O uso é contraindicado ou exige extrema cautela nas seguintes situações:

Menores de 18 anos, gestantes e lactantes (mulheres que estão amamentando);

Pessoas com histórico de pedra na vesícula (cálculos biliares), obstrução ou inflamação dos canais biliares;

Pacientes com doenças ou distúrbios no fígado (hepatopatias);

Pessoas com úlcera gastroduodenal;

Pacientes em uso de medicamentos específicos, como anticoagulantes (ex: varfarina, heparina), imunossupressores ou remédios oncológicos (tratamento contra o câncer), pois a cúrcuma pode causar interações medicamentosas perigosas.

 

Recomendações práticas

Não se automedique: Busque a orientação de um médico ou nutricionista antes de iniciar o uso de suplementos de cúrcuma.

Leia os rótulos: Respeite rigorosamente as doses e o tempo de uso recomendados pelo fabricante ou profissional de saúde. No Brasil, o limite máximo autorizado para suplementos é de 130 mg/dia de curcumina.

Monitore os sintomas: Fique atento aos sinais do seu corpo, especialmente se já tiver alguma vulnerabilidade na saúde.

O que muda no mercado a partir de agora?

Embora o Brasil tenha registrado poucas notificações e nenhuma delas com danos ao fígado até o momento, a Anvisa adotou uma postura preventiva para proteger os cidadãos:

Nas farmácias: Os fabricantes de medicamentos que contêm cúrcuma foram acionados para atualizar suas bulas, incluindo o risco de hepatotoxicidade, as precauções e os sinais de alerta.

Nos suplementos: Será iniciada uma norma para exigir que os rótulos tragam advertências claras sobre possíveis efeitos adversos. Além disso, a Anvisa vai reavaliar a liberação desses ingredientes em suplementos para decidir se serão necessárias restrições ainda maiores.

A saúde começa pelo consumo consciente. Na dúvida, mantenha a cúrcuma apenas na panela e consulte seu médico antes de transformá-la em cápsula.

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