
O Conselho Federal de Medicina (CFM) promoveu, nesta sexta-feira (20), o I Fórum de Cirurgia Bariátrica e Metabólica, com o tema central “Tratamento da Obesidade e Cirurgia Bariátrica no SUS”. O evento reuniu especialistas, representantes do Ministério da Saúde e membros da Câmara Técnica de Cirurgia Bariátrica e Metabólica do CFM para discutir desafios assistenciais, políticas públicas e modelos de organização do cuidado.
A íntegra dos debates está disponível no canal oficial do CFM no YouTube.
Acesse aqui:https://www.youtube.com/live/ltJMSbnisKE?si=jLp3IBGac6rfIAto
Na primeira mesa-redonda, dedicada ao cenário nacional, o médico Orlando Pereira Faria, membro da Câmara Técnica, abordou a fisiopatologia da obesidade e destacou a complexidade da doença. “Comer demais não causa obesidade; é a obesidade que causa comer demais. Comer menos não trata a obesidade; tratar a obesidade leva a comer menos”, afirmou, ressaltando as implicações dessas conclusões para o controle de longo prazo.
O, também, membro da Câmara Técnica Ricardo Vitor Cohen tratou das indicações, resultados e desafios de acesso à cirurgia bariátrica e metabólica no SUS. Ele reforçou que a obesidade deve ser reconhecida como doença em si: “Obesidade é uma doença por si só. Não é preciso esperar outra enfermidade para caracterizá-la como tal. Ela é uma doença quando causa dano ao organismo, e não apenas um fator de risco”.
Representando o Ministério da Saúde, Kelly Poliany de Souza Alves, coordenadora-geral de Alimentação e Nutrição, apresentou a linha de cuidado da obesidade no SUS e suas prioridades. Ela também alertou para o estigma do peso e a gordofobia no atendimento em saúde. “Existe um consenso mundial para utilizar a expressão ‘pessoa com obesidade’, evitando termos que possam reforçar estigmas e abordagens culpabilizadoras”, exemplificou.

Na segunda mesa-redonda, dedicada à Atenção Primária à Saúde (APS), Kelly Alves abordou estratégias de prevenção e políticas públicas relacionadas ao ambiente alimentar.
O médico Gustavo Peixoto Soares Miguel apresentou o papel da APS no diagnóstico, na estratificação de risco e nos critérios de encaminhamento para níveis especializados. Já Flávio Kreimer discutiu o tratamento clínico estruturado na atenção primária, incluindo mudança de estilo de vida, farmacoterapia e a importância da coordenação do cuidado como eixo central para o acompanhamento longitudinal do paciente.

Custo-efetividade – A terceira mesa-redonda tratou da implantação e funcionamento dos Centros de Tratamento da Obesidade (CTO) no SUS. Juliano Blanco Canavarros detalhou a estrutura mínima necessária, a importância da equipe multiprofissional e a definição de fluxos assistenciais organizados.
O diretor executivo da Federação Internacional de Cirurgia da Obesidade e Transtornos Metabólicos (Capítulo América Latina e Caribe), Luiz Vicente Berti, apresentou modelos internacionais de acreditação e melhores práticas. Ele foi enfático ao afirmar que “CTO sem equipamento completo não é centro de tratamento, é fragmentação”.
Na quarta mesa-redonda, Berti discutiu a custo-efetividade da cirurgia bariátrica, destacando evidências econômicas e o impacto positivo na redução de comorbidades como diabetes tipo 2, hipertensão arterial e apneia obstrutiva do sono.
O especialista também defendeu a implementação de fila única como estratégia de equidade no acesso. “Não se trata de retirar autonomia, mas de garantir justiça. Entre os resultados esperados estão equidade, redução da judicialização e fortalecimento da confiança institucional”, afirmou.