Cerca de 200 professores, alunos e médicos acompanharam o X Fórum Nacional de Ensino Médico, promovido pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), em Fortaleza (CE). Na abertura, o presidente do CFM, Carlos Vital, chamou a atenção para a importância do encontro que ocorre quando o Brasil exige a rediscussão do aparelho formador no ensino médico.

“No Brasil, existem 336 escolas médicas distribuídas em 223 municípios que, juntas, já oferecem 34.465 vagas. Desse total de cursos, 119 são gratuitos, mantidos pelo setor público, e 217 cobram mensalidades de seus alunos. Do total de unidades em funcionamento, 161 foram autorizadas nos últimos 10 anos”, destacou Vital, que, em seguida, apontou as dificuldades geradas pelo aumento exponencial de cursos de medicina no País.

O presidente do CFM, Carlos Vital, destacou a importância do debate sobre o ensino médio no Brasil

Cuidado – Segundo ele, esse crescimento não veio acompanhado do cuidado para que as novas escolas contem com o mínimo necessário para cumprir seu papel. “Em boa parte delas, faltam hospitais de ensino ou campos de estágio; as instalações são ruins; e o corpo docente não possui a qualificação e o preparo exigidos”, afirmou. O conselheiro Lúcio Flávio Gonzaga Motta, corregedor-adjunto e coordenador da Câmara Técnica de Ensino Médico do CFM, concorda com esse diagnóstico.

Ainda no primeiro dia, o professor Ruy Guilherme Silveira de Souza, da Universidade Federal de Roraima (Unir), apresentou conferência sobre o tema “Formação Médica, Internato e Responsabilidade Social”. Em sua palestra, destacou a importância de atuar para que o estudante de medicina já comece, desde a graduação, a desenvolver de forma harmônica suas competências, habilidades e atitudes.

Na sequência, foram realizados painéis temáticos, que prepararam o terreno para a realização de trabalho em grupo. Dentre os temas, “Utilização dos cenários de prática do internato na rede pública de saúde pelas universidades”, apresentado pelo professor Jorge Carvalho, do Departamento de Medicina Interna da Faculdade de Medicina da Bahia; “Processos avaliativos do internato nos diferentes cenários de prática”, sob a responsabilidade da professora de clínica médica Iolanda de Fátima Lopes Calvo Tibério, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo; e “Qualificação da preceptoria no internato”, a cargo da coordenadora do curso de graduação em medicina da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas, Joana Froes Bragança Bastos.

Regiões – O Presidente do Conselho Regional de Medicina do Ceará (Cremec), Helvécio Neves Feitosa, parabenizou a iniciativa do CFM ao promover o X Fórum, em Fortaleza. Na sua opinião, essa foi uma oportunidade de ampliar o escopo da discussão sobre o ensino médico para outras regiões, deslocando-a do eixo Rio de Janeiro – São Paulo – Brasília para outros estados. “O CRM apoiou esse projeto por acreditar no papel-chave das entidades médicas nesse debate”, disse.

Ainda participaram da solenidade de abertura, Lincoln Lopes Ferreira, presidente Associação Médica Brasileira (AMB); Nildo Alves Batista, presidente da Associação Brasileira de Educação Médica (ABEM); José Roberto de Souza Baratella, presidente da Federação Brasileira das Academias de Medicina (FBAM); Mayra Isabel Correia Pinheiro, secretária de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde do Ministério da Saúde; e Valéria Góes Ferreira Pinheiro, diretora da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará.

As atividades do X Fórum tiveram continuidade no dia (31) com discussões sobre a influência das novas tecnologias no ensino médico. O evento foi encerrado com uma palestra da professora Maria Amélia Ferreira, catedrática da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto. Em sua exposição, ela abordou o tema “O Caminho para o profissionalismo na prática clínica”. Com auditório sempre cheio e debates animados, com participação de profissionais, professores e estudantes, o encontro foi considerado um sucesso pelos organizadores.

O coordenador da Comissão de Ensino Médico do CFM, Lúcio Flávio Gonzaga Motta, ficou entusiasmado com o nível das discussões e o engajamento dos participantes nos grupos de trabalho. Segundo ele, as conclusões serão analisadas pela Comissão, em suas reuniões periódicas, em Brasília (DF), devendo compor um novo livro a ser lançado oportunamente, como aconteceu em edições anteriores desse mesmo Fórum.

 

SERVIÇO

DATA: 30 e 31 de maio de 2019
LOCAL: Auditório do CREMEC
Av. Antonio Sales, 485 Joaquim Távora – Fortaleza (CE)

 

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