Mais de 200 pessoas, representando cerca de 15 instituições e a sociedade civil, participaram do VI Seminário sobre Crianças Desaparecidas, realizado no dia 1 de fevereiro de 2019, no auditório do Conselho Regional de Medicina da Paraíba (CRM-PB), em João Pessoa. O objetivo do evento foi promover um amplo debate sobre como construir políticas e ações de enfrentamento a um problema tão grave e, ao mesmo tempo, pouco discutido.

No país, estimativas indicam que desapareçam em torno de 50 mil crianças e adolescentes por ano e que quase 250 mil estejam ainda fora do lar. Na Paraíba ainda não há dados precisos sobre este problema. Dados do Centro Integrado de Operações Especiais (CIOP) mostram que nos últimos dois anos foram recebidas 529 ocorrências de pessoas desaparecidas na Paraíba. Já os dados da Polícia Civil indicam que, no ano de 2018, foram registrados 178 casos de desaparecimento de pessoas, sendo 23% desse total de crianças e adolescentes.

Seminário reuniu mais de 200 pessoas no auditório do CRM-PB

De acordo com os especialistas e representantes de instituições que participaram do evento, o grande entrave para a não solução desse problema é a falta de informação. “Não temos no país um cadastro de crianças desaparecidas, não há uma integração das informações. Nós, como cidadãos, temos a obrigação de promover essa luta até que todas as crianças possam ser resgatadas, e impedir que novas desapareçam”, destacou o integrante da Comissão de Ações Sociais do Conselho Federal de Medicina (CFM), Ricardo Paiva.

Ele ressaltou que o CFM, em parceria com os conselhos regionais, vem realizando esses debates em diversas cidades brasileiras. “Esta é a sexta cidade em que realizamos o seminário e, com certeza, foi o maior evento que fizemos. Não apenas no número recorde de participantes, mas na vibração, no envolvimento de tantas pessoas”, destacou. “Ficamos muitos satisfeitos com a mobilização que foi feita aqui na Paraíba para discutir um assunto tão importante e que gera um grande sofrimento social. O CFM tem lutado por essas ações humanísticas, que promovam soluções e debates para melhorar a sociedade”, completou o secretário-geral do CFM, Henrique Batista e Silva.

O presidente do CRM-PB, Roberto Magliano de Moraes, destacou que o evento é um marco importante para o conjunto de ações sociais que o Conselho desenvolve. “Em um país com tantas notícias ruins, vi hoje que há vários caminhos possíveis, apenas precisamos estar unidos”, disse Magliano.

O evento contou também com explanações de representantes dos Ministérios Públicos de São Paulo e da Paraíba, da Polícia Civil e da ONG Mães da Sé. Representantes de diversas outras instituições, além de médicos e estudantes de Medicina, também puderam dar suas contribuições e sugestões durante o debate aberto ao público.

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