“A defesa dos pediatras e das crianças e adolescentes deve prosseguir, já que os conselhos de medicina e sociedades de especialidade estão motivados”, ressaltou Sidnei Ferreira, 2º secretário do Conselho Federal de Medicina (CFM), na abertura do IV Fórum de Pediatria. Representante da presidência do CFM na abertura do evento, Ferreira enalteceu o trabalho da Câmara Técnica de Pediatria, que organizou o Fórum. “Tenho certeza que faremos discussões relevantes sobre a violência contra os pediatras, incongruências de gênero na infância e na adolescência e prevenção ao suicídio” afirmou.

Também presente na mesa de abertura, o 1º vice-presidente da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), Clóvis Constantino, enumerou o que a entidade tem feito em defesa dos pediatras, como a realização de visitas aos estados, a estruturação dos 32 departamentos científicos e dos cinco grupos de trabalho, responsáveis pela elaboração de estudos pertinentes para a área, e a divulgação de nove trabalhos científicos, que tiveram ampla repercussão na imprensa. “Com 23 mil associados, somos a maior sociedade médica brasileira e a segunda do mundo. Temos trabalhado para fazer jus à confiança depositada pelos pediatras brasileiros”, destacou.

 

Violência contra o médico: no CFM, pediatras analisam os diferentes aspectos desse problema

A exposição do pediatra à violência no ambiente de trabalho foi o tema norteador de debates no IV Fórum de Pediatria do Conselho Federal de Medicina (CFM). Os palestrantes da primeira mesa redonda apresentaram levantamentos que apontam altos índices de violência contra médicos e pediatras em todo País. Um deles, foi o estudo realizado pelo Instituto Datafolha, a pedido da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), que revelou a percepção desses especialistas sobre o tema. De acordo com o levantamento, três em cada 10 pediatras afirmam que sofrem com frequência situações de violência no trabalho.

Por sua vez, o presidente da Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP), Claudio Barsanti, abordou os aspectos jurídicos da questão da violência. Ele destacou duas pesquisas realizadas com médicos de São Paulo que apontaram que mais de 60% dos entrevistados sofreram algum tipo de violência no ambiente de trabalho mais de uma vez e, em torno de 20%, pelo menos uma vez.

O organizador do encontro e coordenador da Câmara Técnica de Pediatria do CFM, conselheiro Sidnei Ferreira, apontou que a violência que se instaurou nas unidades públicas de saúde e também em serviços particulares reflete os dilemas atuais vivenciados pela sociedade brasileira. Na sua avaliação, o problema tem se agravado em virtude, principalmente, da falta de políticas públicas e da corrupção.

“As precárias condições de trabalho às quais os médicos são submetidos, diariamente, acarretam problemas como longas filas e sobrecarga de atendimentos em unidades de urgência e emergência o que torna impossível uma boa relação médico-paciente. Por outro lado, os dados oficiais mostram que mais de 174 bilhões deixaram de ser aplicados na saúde nos últimos 15 anos”, destacou Sidnei Ferreira, ao citar a incompetência dos gestores em dar seguimento às medidas necessárias para a melhoria dos serviços de saúde e das ações de segurança.

Ferreira ainda defendeu ser preciso adotar medidas que assegurem aos profissionais tranquilidade para o exercício de suas funções. “O pediatra está na linha de frente da assistência. Se o paciente não consegue acesso ao atendimento e tratamento, é esse especialista que recebe as consequências do descontentamento da população contra o sistema tão frágil e deficiente. Precisamos de medidas urgentes, o que inclui a urgência de medidas que garantam segurança física e emocional e boas condições de trabalho, cuja ausência induzem a situações de stress e embates desnecessários”, disse.

Ele ainda lembrou que os Ministérios da Saúde e da Segurança Pública, bem como a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), foram instados pela SBP a providenciar medidas que assegurem maior proteção aos profissionais que fazem atendimento em Unidades Básicas de Saúde (UBSs), serviços de urgência e emergência (prontos-socorros e UPAs) e hospitais.

Como proposta de prevenção, o conselheiro Donizetti Giamberardino Filho, diretor do Hospital Pequeno Príncipe (Curitiba, PR), defendeu a adoção de uma postura que valorize a solidariedade entre todos os que sofrem o impacto da violência nos ambientes de atendimento. “Nós temos que nos defender de qualquer violência, mas juntamente com os pacientes. Precisamos construir propostas de mãos dadas com nossos pacientes”.

Alta incidência de casos de suicídio no Brasil preocupa especialistas

Prevenção do suicídio na infância e na adolescência. Esse foi o tema da terceira mesa-redonda do IV Fórum de Pediatria promovido pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), em 5 de outubro, em Brasília (DF). O conselheiro federal e psiquiatra, Leonardo Luz, abordou em sua exposição as causas do suicídio e dados sobre sua incidência.

Segundo o conselheiro do CFM, o suicídio já é considerado uma epidemia e no Brasil faz mais vítimas do que vários tipos de câncer, sendo a segunda maior causa de mortes na faixa de 15 aos 29 anos, atrás apenas dos acidentes de trânsito. “Estamos com índices muito altos, são 12 mil suicídios por ano no País, apenas de dados oficiais, pois em muitas regiões o suicídio não é devidamente notificado pelas autoridades de saúde”.

Saúde mental – Ele apontou que os comportamentos suicidas passam por diferentes fases: ideação, intenção, planejamento e tentativa de fato. No entanto, alerta, para acontecer a prevenção, os pacientes deveriam ter maior acesso aos serviços de cuidados em saúde mental. “Nos países da América Latina, dentre eles o Brasil, a defasagem no tratamento chega a 75%. Há uma proporção enorme de pacientes que necessitam de atenção, mas não o recebem”, apontou.

Por sua vez, a professora da Faculdade de Medicina da Universidade de Brasília, Marilúcia Picanço, apontou que o suicídio ainda é tratado como um tabu pela sociedade brasileira, o que dificulta sua prevenção. Como proposta para o aperfeiçoamento dessa etapa, o representante do Instituto Nacional da Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (vinculado à Fiocruz), Orli Carvalho da Silva Filho, chamou atenção para que o vetor de prevenção deve ser implementado antes da tentativa.

“O pediatra ou qualquer especialista pode prevenir com disponibilidade de novas realidades para reconhecimento de novas realidades clinicas epidemiológicas e treinamento de novas habilidades”, disse Orli, que também é membro do Comitê de Adolescência da Sociedade de Pediatria do Estado do Rio de Janeiro (Soperj).

 

 

O evento, realizado em 5 de outubro de 2018, em Brasília (DF), pôde ser acompanhado ao vivo no YouTube do CFM

IV Fórum de Pediatria do CFM – abertura https://www.youtube.com/watch?v=HxC9ZCoSjNc

Manhã

https://www.youtube.com/watch?v=aexlmgDrUrM

Mesa redonda: Violência contra o pediatra

https://www.youtube.com/watch?v=ZjPQE32_MRU

Tarde:

https://www.youtube.com/watch?v=t_0qWgC0ND8

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