Escrito por Desiré Carlos Callegari*

 
Se há algo que o Governo atual sabe fazer é fazer parecer que resolve alguma coisa. Estamos diante de uma gestão absolutamente midiática, que pauta cada ação na análise matemática de riscos e vantagens. Neste cenário de ensaiada espontaneidade, a imagem está acima de tudo. Talvez por isso mesmo, no afã de angariar votos e simpatias, o Governo deixa rastros dos vários furos em sua malfada atuação na saúde pública.
 
Sem conseguir confrontar as mazelas históricas que assolam a saúde do país, o Governo elegeu a categoria médica como o bode expiatório da vez para justificar a dificuldade de acesso e má qualidade da assistência oferecida na rede pública.
 
No entanto, contra fatos, números e argumentos a posição do governo se fragiliza. Afinal, é difícil justificar as situações que se avolumam dia a dia nos hospitais e postos de saúde e que penalizam profissionais e pacientes.
 
O estudo recente apresentado pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), que faz uma análise das contas da segunda edição do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) confirma a pouca vocação dos gestores em investir na área da saúde.
 
Das 24.066 ações sob responsabilidade do Ministério da Saúde ou da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) prometidas no lançamento do PAC 2, em 2011, pouco mais de 10% foram concluídas até dezembro passado.  O pior é que a metade do que foi anunciado continua no papel, com perspectivas para lá de remotas de ver a luz do dia.
 
Não há dúvida de que diferentes desrespeitos se acumulam nesta fatura. Os médicos e outros profissionais da saúde sofrem com a falta de infraestrutura de atendimento. Os pacientes, que também são contribuintes, não conseguem ver o retorno do que pagaram em impostos.
 
Por fim, a legislação, que deveria ser o balizador de todas as ações, fica relegada ao plano de peça de ficção. Passa a ser coadjuvante num enredo onde o Governo finge que oferece o que a lei determina e a população, ainda sonolenta, não percebeu o tamanho da arapuca.
 
Ao denunciar esta situação, o CFM cumpriu seu papel institucional de apontar as fragilidades da gestão e cobrar as devidas providências. Na verdade, ao dar transparência a informações tratadas de forma reservada em alguns setores, o Conselho ajuda a sociedade e ao próprio governo fazendo-o refletir e se posicionar de forma ativa ante uma crise sem precedentes.
 
Esperamos que um dia o Governo resolva abandonar o marketing e escutar o clamar das ruas e dos especialistas que exigem soluções efetivas. Faria bem demais ao Brasil ver a saúde, finalmente, ser tratada como prioridade.

 

* É 1º secretário do Conselho Federal de Medicina.

 
    

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