Escrito por Márcio Jansen de Oliveira Figueiredo*

A população está alarmada com a epidemia de Dengue. Dados recentes dão conta de que foram registrados, no decorrer desse ano, milhares casos da doença, com várias mortes. O medo se justifica, já que todos conhecemos alguém, amigo ou familiar, que contraiu a doença. Ao menor sinal de infecção, deve-se procurar um serviço médico para orientações e para a confirmação do diagnóstico visando ao tratamento adequado.

As medidas de prevenção devem ser tomadas por toda a população, e as autoridades da saúde (municipais, estaduais e nacionais) estão demonstrando um esforço considerável para conter o mal. Mas há outro inimigo mais perigoso rondando por aí. Enquanto a Dengue ocupa as manchetes, ele ataca sorrateiro. E, assim, comendo pelas beiradas, a morte cardíaca súbita ceifa milhares de vida no nosso meio.

Os números são bem alarmantes que os da Dengue: de todas as mortes que ocorrerem no país a cada ano, cerca de 30% são por causas cardíacas. E dessas calcula-se que a metade ocorre subitamente. Enfim, enquanto a Dengue faz tanto barulho, a morte súbita contabiliza milhares de mortos no Brasil todo… E, mesmo assim, quase não se fala no assunto.

Continuando a analogia com a virose, é muito comum lembrar de um amigo ou parente que tenha falecido subitamente. As causas para a morte súbita podem ser variadas, embora estejam relacionadas à aterosclerose. Para combatê-la, a prevenção é fundamental – detecção de hipertensão, diabetes, colesterol, etc. Até aqui, parece haver semelhanças entre a Dengue e a morte súbita. Mas, se no caso da infecção a pessoa acometida tem tempo de procurar um serviço médico, se ocorre uma parada cardíaca, a chance de chegar a um hospital é mínima. O tempo, nesse caso, é crucial. A cada minuto em parada cardíaca as chances de sobrevivência diminuem em 10%. Assim, se a pessoa não for atendida em, no máximo, 10 minutos…

Daí a importância da desfibrilação precoce. Algumas cidades têm, pelo menos, certas leis que tratam disso, como as que obrigam que locais de grande concentração tenham um desfibrilador. No entanto, as leis não bastam. Precisamos conhecer o inimigo para lutar contra ele com todas as armas.

A desinformação é um terreno fértil para a falta de ação, assim como a água limpa e parada é para a proliferação do Aedes aegypti. Por isso, a Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas promoveu no dia 12 de novembro o I Dia Nacional de Prevenção das Arritmias Cardíacas e Morte Súbita. Em todo o país foram mobilizados serviços de saúde especializados em arritmias cardíacas, visando a divulgar dados e, se possível, a sensibilizar a população para as medidas preventivas e para ações que visam a atacar o problema.

Um país que busca indicadores de saúde dignos de nações desenvolvidas não pode deixar que um problema tão sério esteja por aí, assombrando silenciosamente a população e atacando impunemente e de maneira sorrateira. Vamos sediar a Copa do Mundo de Futebol em 2014, portanto, temos condições de mudar o jogo, mas nada conseguiremos se não houver a participação de todos.

*Márcio Jansen de Oliveira Figueiredo foi diretor de Regionais da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp).


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