Escrito por  Karlisson Éder da Cunha Lima*

A FNP (Frente Nacional dos Prefeitos) entregou a Dilma Rousseff e ao ministro Alexandre Padilha (Saúde) uma lista de sete reivindicações dos municípios para combater a falta de médicos na rede pública. São reivindicações próprias, que enumeram as possíveis “soluções” da falta de médico nos diferentes interiores do Brasil.

Portanto, como profissional médico que atua na rede publica e na atenção primária em saúde, gostaria também de apresentar a presidente Dilma Rousseff as minhas reivindicações para que possamos combater essa falta de médicos. Dentre elas são:

  1. Valorização do Médico de Família e Comunidade. Essa especialidade médica reconhecida pelo CFM/AMB é visto hoje com pouquíssimo interesse pelos estudantes de medicina, já que a remuneração é PÉSSIMA e qualquer recém-formado que esta esperando passar na residência pode ”exercer ”essa área.

  2. Estruturar as equipes de ESF e as unidades Básicas de Saúde. Nenhum médico quer trabalhar em um lugar que falte medicamentos, exames e uma equipe multiprofissional comprometida com a atenção primaria em saúde.

  3. Remunerar de forma justa, não somente os médicos, mas sim os enfermeiros  técnicos, Agentes Comunitários de Saúde e demais profissões. Não existe interiorização sem um salário justo e atrativo. Se for pra receber “X” em São Paulo, porque vou receber o mesmo “X” na Amazônia?

  4. Criar um plano de Carreira semelhante aos juízes para os médicos. Incentivar a interiorização com subsídios e atrativos futuros, que permita o médico seguir trajetória naquela região.

  5. Oferecer capacitação e atualização gratuita aos médicos e profissionais interiorizados, obrigando eles a irem aos congressos, estudarem por livros de referência e protocolos do Ministério da Saúde, assim como serem submetido a avaliações periódicas.

  6. Precisamos ter um sistema de regulação em Saúde mais eficiente, permitindo uma integralidade das referências especializadas, com agilidade nos encaminhamentos. Nenhum médico quer trabalhar em uma rede onde o encaminhamento pro oftalmologista demore 6 meses ou mais.

  7. Colocar na cabeça de alguns gestores que médico não é igual ao sal de cozinha, ou seja… branco, barato e se encontra em qualquer esquina. Médico é uma profissão de altíssima responsabilidade, que precisa ter acesso a recursos suficientes para realizar um trabalho digno e de qualidade. Sem esses recursos, o profissional médico jamais vai sair dos privilégios de sua capital, deixando os interiores deste pais cada vez mais esquecido, isolado e doente.


* É diplomado pela UFRN, atua como Médico Auditor e no Atendimento em Estratégia de Saúde da Família. Possui experiência em atenção primária de saúde das unidades de fluviais Abaré I e II do município de Santarém (PA).

* As opiniões, comentários e abordagens incluidas nos artigos publicados nesta seção são de inteira responsabilidade de seus autores e não expressam, necessariamente, o entendimento do Conselho Federal de Medicina (CFM).


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