José Hiran da Silva Gallo
 
 
O Brasil passa por um momento muito especial. Diariamente, no noticiário, que aborda os sucessivos escândalos de corrupção, o termo “ética” tem sido usado repetidas vezes.
Ao incorporá-lo em seus textos, os jornalistas reproduzem o pensamento de autoridades, políticos, estudiosos e cidadãos comuns, indignados com os abusos cometidos na e pela gestão pública.

Espera-se que os fatos ainda em apuração resultem na devida punição dos corruptos e dos corruptores e eliminem de vez as práticas distorcidas que lesaram os cofres do Estado e minaram a confiança dos cidadãos nas instituições. Contudo, mais que um simples acerto de contas, também se espera que, de todo esse processo, restem lições importantes para os brasileiros.

Dentre elas, destaca-se a necessidade de que, em todas as situações, cada um de nós tenha por prática cotidiana: respeitar as leis; adotar uma conduta idônea e ser, acima de tudo, um agente do que é justo e ético.

Sabe-se que para viver sob o signo da ética a pessoa deve estar ciente de que isso depende de uma opção individual. Tem que ser feita uma escolha ativa, vinculada à visão individual sobre valores, princípios e normas morais.
Ou seja, o comportamento ético não existe sem reflexão e sem ação diante dos dilemas da vida. Trata-se de um processo que pode até gerar desconforto, ansiedade e angústia ao colocar em xeque convicções íntimas. Contudo, é um processo urgente, pois sem seu exercício não há crescimento individual ou coletivo.

Assim, como cidadãos chamados a refletir diariamente sobre escolhas a partir da perspectiva do que é certo e errado; do que é ético e do que não é, somos estimulados a estender essa reflexão a todos os campos da vida, inclusive o da assistência em saúde.

Isso pode ser feito desde as circunstâncias mais simples até as mais complexas. É a ética aplicada à vida se materializando em uma simples relação interpessoal, como é a relação médico-paciente, até na elaboração de práticas que possam interferir na saúde e no bem-estar de comunidades inteiras.

Nesses contextos, mais do que nunca a ética se torna uma ferramenta fundamental ao refletir e ao agir, dando-nos o suporte necessário para que as opções sejam tomadas com base em argumentos que fortaleçam, entre outros pontos: a luta contra os abusos no uso de seres humanos em pesquisas; o fim do emprego de técnicas desumanizantes no tratamento de doenças e o respeito à autonomia dos pacientes.

Assim, consciente sobre direitos e deveres, limites e responsabilidades, a sociedade poderá avançar em conjunto, em busca das profundas transformações que farão as práticas incoerentes com a moral e a justiça não prevalecerem, de modo que o uso do conhecimento e das boas práticas permitam o advento de benefícios para a humanidade, em vez de agir em seu detrimento.
 

José Hiran da Silva Gallo é diretor-tesoureiro do Conselho Federal de Medicina (CFM).

 
    

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