Escrito por Flávio Job.*


A distribuição de amostras grátis de medicamentos, brindes e incentivos financeiros era uma prática freqüente entre a indústria farmacêutica e os médicos até que a Associação Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) e o Conselho Federal de Medicina (CFM) colocaram regras, por meio de resoluções, na relação entre a indústria farmacêutica e os médicos. Tais resoluções proíbem a vinculação da prescrição médica ao recebimento de vantagens materiais por parte da indústria farmacêutica, proferir palestras ou escrever artigos divulgando ou promovendo produtos farmacêuticos, e os médicos são obrigados a declararem os agentes financeiros que patrocinam suas pesquisas ou apresentações.

É preciso salientar a importância das indústrias não só no desenvolvimento de novas drogas, novos materiais e novos equipamentos e, também o papel que desempenham na educação médica continuada, patrocinando congressos, jornadas e eventos médicos. Na visão míope de alguns, o marketing da indústria impõe aos médicos, práticas indecentes e desonestas, fazendo destes verdadeiros agentes do mal a serviço dos vampiros das empresas brasileiras e das multinacionais.

Devemos analisar também em nome da verdade que muitos colegas fazem uso destas indústrias quando solicitam passagens aéreas para ir a Congressos, livros, doações para equipar enfermarias, etc. Muitas vezes colegas discursam de forma veemente contra as relações incestuosas que existem entre médicos e indústrias, mas esses mesmos colegas no seu dia a dia praticam essas relações.

A cooperação entre a classe médica e a indústria é importante e necessária a todos os níveis do desenvolvimento e do uso de medicamentos, materiais e equipamentos de forma a garantir a segurança dos pacientes e a eficácia diagnóstica e terapêutica, ou seja, a transparência deve ser o norte nessa relação.

É chegada a hora de entidades médicas, como CFM e AMB, e das entidades representativas das indústrias farmacêutica, materiais e equipamentos celebrarem um Protocolo de Princípios Éticos que venham a nortear as relações da classe médica e as respectivas indústrias.

Com este Protocolo, as entidades demonstrarão para a sociedade brasileira o amadurecimento do setor saúde e a transparência dessa relação que existe e que irá sempre existir não dando margem para os extremistas de plantão que estão sempre apregoando “quanto pior melhor” ou os não éticos que querem “levar vantagem em tudo” ou aos burocratas que sempre atrasaram este país.


* É conselheiro do Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio Grande do Sul (Cremers) e presidente da Sociedade Brasileira de Clínima Médica do RS.


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