Escrito por Lúcio Flávio Gonzaga Silva, conselheiro suplente do CFM e vice-presidente do Conselho Regional de Medicina do Ceará (Cremec)

Três questões importantes oligopolizaram o centro das discussões neste Fórum Nacional das Entidades Médicas, que aconteceu em Aracajú, nos dias 8 e 10 de dezembro de 2010.

O CFM, a AMB e a FENAM concentraram suas atenções e esforços na busca de uma convergência sobre a recertificação de títulos de especialista/área de atuação, a terceirização da gestão dos serviços públicos de saúde e o exame final para egressos dos cursos de Medicina.

O formato das reuniões permitiu que inicialmente os temas fossem abordados por dois preclaros palestristas. Cada um, a seu turno, de seu modo e a seu ver, exteriorizaram suas opiniões. Sobre a recertificação (4ª feira), os drs. Aldemir Soares (AMB): a recertificação é absolutamente essencial. Emmanuel Fortes (CFM): atualização ao livre arbítrio dos médicos, necessária para todos, porém sem ofender os direitos adquiridos.

A terceirização (5ª feira) recebeu as reflexões dos Drs. Vladmir Taborda (SP): os resultados obtidos favorecem o modelo de organização social (OS) no Brasil e Eduardo Santana (FENAM): necessário discutir a precarização das relações de trabalho do médico, a perda das conquistas trabalhistas históricas e o tamanho do estado que queremos para o nosso país.

A sexta-feira foi dedicada ao exame final dos egressos de cursos de Medicina. Dr. Reinaldo Ayer (Cremesp): implantação em âmbito nacional pelo CFM e CRMs de um exame de avaliação dos egressos das escolas médicas. Dr. Carlos Vital (CFM): não há justificativa educacional para o exame “de ordem” na Medicina. O discente não pode ser responsabilizado pela má qualidade dos cursos autorizados pela autoridade competente.

Somada a excelência das exposições, o que valorizou ainda mais o evento foi a extraordinária participação da plenária. Os tópicos suscitaram opiniões as mais diversas, de um lado e do outro, restando um feliz sentimento de que a inteligência de nossos pares, ao final, prevaleceu.

Aqueles dias de discussões acaloradas de lado a lado lembraram-me um velho caboclo do meu sertão do Ceará. Certo dia ao amanhecer do dia, ele chegou-me assim meio devagar e interrompeu-me: “doutor, o mundo é de um jeito e do outro”. Pois é pensei ali em Aracajú, com meus botões, naquela plenária: não é que o Sr. Bio tem razão?

Porém, brotaram pensamentos convergentes: faculdades de Medicina de qualidade; residência para todos os médicos; atualizações para todos, sobretudo para os não especialistas. Terceirização da gestão dos serviços públicos de saúde – uma agenda aberta nas entidades médicas. Avaliação progressiva anual ou bianual dos graduandos, associada a avaliações sistemáticas dos cursos de Medicina.

Ademais da riqueza das discussões, o que não se pode olvidar desta experiência de Aracaju/2010? O acolhimento fraterno dos colegas sergipanos e da sua cidade. Caro Prof. Henrique (presidente do CREMESE, Secretario geral do CFM), receba a gratidão de quem recebeu tanto afeto.

Congratulações aos presidentes Roberto d´Avila (CFM), José Luiz (AMB) e Cid Célio (FENAM).


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