Escrito por Abdon Murad*


Nós, médicos brasileiros, estamos lutando para resgatar a nossa dignidade profissional, cobrando dos planos de saúde uma remuneração respeitosa para nosso trabalho, exigindo a implantação da Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos(CBHPM). Embutida nesta luta está, também, a busca por melhores condições de atendimento aos pacientes, o que nem sempre é permitido pelas operadoras dos planos de saúde

Profissional diferente, os médicos têm ao longo de sua história uma respeitosa, ética e solidária relação com seus pacientes, parte mais frágil de todo sistema de saúde. Temos priorizado este relacionamento, em toda a nossa trajetória. Os pacientes são o único e mais importante motivo da nossa existência profissional. Não haveria médicos, se não houvesse pacientes.

Neste momento, estamos precisando da compreensão, da solidariedade e da ajuda da sociedade brasileira, onde se encontram 38 milhões de usuários de planos de saúde e das demais empresas ligadas ao Sistema de Saúde Suplementar. Durante os 12 últimos anos, a nossa remuneração, por parte destas empresas, tem se mantido igual, sem nenhum reajuste, como se morássemos em um País que não tem e, nunca teve, inflação.

Todas as tentativas de realinhamento de nossos vencimentos, foram inglórias. Paralelamente a esta realidade cruel e desrespeitosa, neste mesmo período de tempo, os planos de saúde deram aumentos exorbitantes aos usuários. A soma desses repasses chega à casa dos 250%!

É uma conta que não tem lógica, principalmente quando se sabe que, o gasto destas empresas, com os médicos, não ultrapassa 20%. O Conselho Federal de Medicina (CFM), a Associação Médica Brasileira (AMB) e a Federação Nacional dos Médicos, FENAM, juntamente com a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, FIPE, fizeram, ao longo de dois anos, a melhor, mais ética e legal maneira de remuneração médica deste País. Pela primeira vez, o CFM emprestou seu nome, seus conselheiros e seu conhecimento para um trabalho desta natureza, porque é impossível a manutenção deste quadro.

Entre os 5.000 procedimentos médicos que nós médicos realizamos, vou pinçar, como símbolo da distorção reinante, a consulta médica. Os planos de saúde nos pagam os valores que bem entendem. Eles têm embaralhado, partido e dado as cartas neste jogo. Desta maneira, sempre vencem, com faturamentos anuais assustadores, às custas dos usuários, que os bancam financeiramente e, dos médicos, que fazem o trabalho.

É importante salientar que a baixa remuneração que recebemos, não diminui nossa dedicação, nem o correto desenvolver de nossas atividades profissionais. Pois bem, vamos à consulta. Os médicos recebem, atualmente, dos planos de saúde, valores que variam de R$ 15,00 a R$ 29,00 por consulta.

Tenho certeza de que você, leitor, está surpreso com estas cifras. Saiba que, os demais procedimentos médicos que realizamos, nos são pagos, também, aviltadamente. São estes os valores que as empresas em questão acreditam que merecemos para cuidarmos de sua saúde.

Estamos solicitando, através da CBHPM, R$ 42,00 por consulta. O médico brasileiro não aceita mais ser tão vergonhosamente remunerado por seu trabalho, por isto, estamos paralisando o atendimento aos planos que não adotarem a CBHPM.

Existe no ar uma tentativa, por parte dos planos de saúde de jogar a população usuária dos mesmos contra nós, médicos. Estou certo de que não vão conseguir romper o relacionamento de respeito mútuo existente entre a sociedade e a classe médica, relacionamento que se sustenta pela confiança.

Tenho convicção de que a sociedade brasileira, ciente das dificuldades pelas quais passamos, não deixará de nos apoiar neste momento em quem buscamos o resgate de nossa dignidade e, conseqüentemente, da própria sociedade.

Abdon Murad é conselheiro federal e presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado do Maranhão (CRM-MA).


* As opiniões, comentários e abordagens incluidas nos artigos publicados nesta seção são de inteira responsabilidade de seus autores e não expressam, necessariamente, o entendimento do Conselho Federal de Medicina (CFM).


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