Escrito por Cláudio Balduíno Souto Franzen*

Se, por um lado, o médico alcança os mais elevados índices de credibilidade em pesquisas junto à sociedade, por outro, tem sido alvo de uma série de iniciativas formuladas em gabinetes de Brasília que buscam atingir a sua imagem, mesmo que isso custe a perda de qualidade na assistência de saúde à população, sobretudo a mais carente, aquela que não dispõe de recursos para bancar um plano privado de saúde. Um segmento que, aliás, cresce cada vez mais, em decorrência do investimento insuficiente do governo federal no Sistema Único de Saúde.

Dentro do ambicioso programa brasileiro de saúde pública, o médico, nos últimos anos, tem sido cada vez mais desprestigiado. Os valores a ele destinados como remuneração de consultas e procedimentos cirúrgicos são irrisórios; não existe um plano de carreira que incentive o profissional a trabalhar no Interior, e as condições de trabalho muitas vezes são precárias.

Como entender, ainda, que uma ação de atenção primária, preventiva, como o Programa de Saúde da Família, prescinda de um médico pediatra? Um programa que deveria ter, também, um geriatra, diante da elevação da taxa de longevidade da população em todo o país.

O que dizer, então, da abertura indiscriminada de escolas de medicina? Só neste século, nos últimos oito anos, foram 75, a maioria sem as condições adequadas para oferecer um ensino de qualidade. Hoje, o Brasil é o segundo país no mundo em número de faculdades – 175 -, que formam anualmente mais de 12 mil médicos.

Assim, depois de abrir as comportas para a formação excessiva de médicos, o governo, em vez de atacar o problema na origem, ou seja, fechando as faculdades ruins, pensa em criar um exame de proficiência no final do curso, para avaliar se o médico formado está realmente apto a exercer a profissão.

O primeiro passo nesse sentido é, sem dúvida, a extinção do histórico e consagrado título de ‘Médico’, substituído pelo diploma de ‘Bacharel em Medicina’. Além de uma tentativa de diminuir a importância do médico, trata-se de uma injustiça. Afinal, o jovem formado por faculdades de medicina só pode exercer uma atividade: a de médico. Diferente, por exemplo, do egresso de um curso de Direito, que, mesmo sem o grau de Advogado, poderá trabalhar em áreas afins.

Apesar de todas as dificuldades que lhe são impostas por políticas equivocadas de saúde, o médico segue inabalável em sua arte, em seu ofício, certo de que contará sempre com o reconhecimento que lhe é mais importante: o do paciente.

* É presidente do Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul (Cremers).

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