José Hiran da Silva Gallo*


A pouco mais de uma semana das eleições municipais de 2016, o brasileiro tem nas mãos uma grande responsabilidade: expressar em suas escolhas de nomes para cargos em prefeituras e câmaras municipais o surgimento de uma nova consciência política, na qual valores como a ética, a justiça e o interesse coletivo sejam soberanos.

Espera-se que a Operação Lava Jato e outras realizadas pelo Ministério Público e pela Polícia Federal repercutam no momento solitário e decisivo em que o cidadão se encontra em frente à urna eleitoral para depositar seu voto.

Nesse momento ímpar, sobre o qual se sustenta o convívio democrático, repousa o poder de cada um de nós de desenhar um futuro melhor para nosso país. Infelizmente, muitas vezes, ao tomar uma decisão desse tipo, o eleitor privilegia aqueles que afirmam defender seus interesses, os de sua família e amigos. O “eu” vem em primeiro lugar, quando, idealmente, deveria dar lugar ao “nós”.

A todos que se preparam para exercer sua cidadania, lanço um desafio. Juntos podemos mudar várias histórias: a nossa e a de milhões de outros brasileiros. Para tanto, basta esquecer essa lógica invertida e tomar uma decisão ancorada no bem comum. Faça uma reflexão profunda e coloque sua decisão prática ciente de que fez a melhor escolha.

Antes de adentrar a cabine de votação, avalie criteriosamente os candidatos que se apresentaram para a disputa. Procure conhecer suas propostas, inclusive verificando a possibilidade de serem colocadas em prática. É preciso se precaver dos políticos que vendem sonhos e ilusões.

Analise o histórico dos candidatos. É importante conhecer pontos de sua trajetória pessoal e profissional, seu engajamento com a defesa dos interesses da sociedade e seu comportamento em relação às leis. Um candidato com um passado duvidoso será, certamente, um político de posicionamento nebuloso e limitado.

Evite se guiar pelos conselhos dos outros. O voto é seu, pessoal e intransferível. Por isso, seja autônomo em sua decisão. Não tema votar naquele que, após uma análise rigorosa, conquistou sua confiança. Inexiste essa história de “perder voto” ao escolher um nome que não está entre os favoritos. Em eleição, nem sempre as “unanimidades” são as melhores opções.

Em Rondônia, em cada município, há muito a ser feito. O estado enfrenta uma série de problemas econômicos e em diversas áreas, como transporte, infraestrutura urbana, educação e saúde. Fazer frente a todos esses desafios exige um grupo de líderes comprometidos, preparados e conectados com a sociedade. Por isso, é preciso que nesses cargos estejam os melhores, aqueles que estarão de olhos e ouvidos abertos ao que o povo aspira e quer ver feito.

Certamente, ao seguir os passos descritos, o eleitor chegará ao final desse processo convicto de que realmente contribuiu com o seu melhor para que o estado de Rondônia e o nosso país consigam fazer a difícil transição entre o que tanto sonhamos e a realidade do dia a dia. É no democrático e soberano exercício da cidadania, que se faz com o voto, que tudo começará. Boas eleições!

 

QUATRO PERGUNTAS PARA OS CANDIDATOS

 

  1.  Na Saúde de Rondônia, em especial de Porto Velho,  acumulam-se denúncias de má gestão na área hospitalar. Como assegurar ao cidadão atendimento com a integralidade e a qualidade previstas na constituição brasileira?

  2. A fixação de médicos e outros profissionais da saúde é um desafio. Com a precariedade dos vínculos, a baixa remuneração e as condições ruins de trabalho, muitos profissionais deixam o estado em busca de melhores oportunidades. Qual o caminho para reverter essa situação?

  3.  Em 2012, Rondônia chegou a perder por algumas semanas o direito de oferecer programas de residências médicas em hospitais públicos. A situação foi revertida, avanços foram percebidos, mas ainda há críticas quanto à falta de estrutura para o funcionamento desses serviços. Qual sua visão sobre esse problema?

  4.  Num estado onde a lista de problemas na área social é extensa, é preciso definir estratégias de trabalho. Qual será seu tema número um para o desenvolvimento de ações e como ficarão os outros temas enquanto sua atenção estará voltada para essa prioridade?

 

* É doutor em Bioética e tesoureiro do Conselho Federal de Medicina (CFM).

 

 

 
    

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