Escrito por José Medeiros*

Os médicos mais antigos ainda se lembram do tempo em que o número de exames complementares de que se dispunha era bem limitado. Há 50 anos, as radiografias eram solicitadas em casos excepcionais. Ultra-sonografias, tomografias computadorizadas, ressonâncias magnéticas não estavam incluídas nos arsenais disponíveis. O médico, como um Sherlock Holmes, corria atrás do criminoso, que, no caso, era a doença de que o paciente estava acometido. A maior arma de que dispunha o profissional consistia num minucioso exame clínico.

Na evolução que se seguiu, a descoberta dos antibióticos foi festejada como um fato histórico na área terapêutica. Mas a alegria durou pouco. O abuso desses medicamentos provocou o aparecimento de micróbios e bactérias resistentes. Nessa guerra, quase sempre, os microorganismos mostram-se mais ágeis que a indústria farmacêutica, que não pára de produzir antimicrobianos cada vez mais potentes.

Um professor de Farmacologia costuma referir-se aos medicamentos dizendo: “o veneno que mata pode ser o remédio que cura. Tudo depende da dosagem empregada”. E acrescenta: “há medicamentos tão tóxicos que se forem jogados ao mar provocam a morte de grande número de peixes”.

Aspirina, elixir paregórico, dipirona, antibióticos, vitaminas e expectorantes são utilizados de forma indiscriminada na vida familiar. As mães tornam-se preocupadas “médicas do lar”, as vizinhas “doutoras” que medicam, os balconistas “especialistas” que orientam e aconselham. Muitas vezes é assim. No trabalho de divulgação científica, Abuso de Medicamentos, recentemente publicado, encontramos o seguinte trecho: “Evidências científicas recentes comprovam que muitos medicamentos, atualmente utilizados especialmente nas doenças respiratórias, são inócuos e eventualmente capazes de provocar reações adversas ou intoxicações de gravidade variável”.

Esse trabalho científico em formato de cartilha (vou chamá-la assim, de maneira carinhosa) é o resultado de estudos realizados por pediatras alagoanos, sob a coordenação do dr. José Gonçalves Sobrinho e publicada pela Unimed. Contém orientações úteis em relação ao uso de medicamentos e abuso da auto-medicação: administração errônea de antibióticos, descongestionantes nasais e outros produtos farmacêuticos largamente usados. Há muitas perguntas que, habitualmente, são feitas pelos pais e mães de família: Vitamina C cura gripe? Banhos gelados são aconselháveis para diminuir a febre de criancinhas, ou o uso de uma tolha úmida faz o mesmo efeito? Antibióticos curam viroses? Remédios utilizados para desobstrução do nariz de criancinhas podem provocar acidentes e até a morte desses pequenos pacientes?

Muitas dessas perguntas já foram respondidas no manual. Entretanto, uma boa sugestão ao médico José Gonçalves Sobrinho e equipe seria a ampliação desses conteúdos, pelo valor que encerram. Na linha de prevenção e cuidados com a saúde o pediatra e escritor Milton Hênio manteve – ao longo do tempo – valioso programa televisivo com informações, esclarecimentos e conselhos sobre doenças, moléstias e enfermidades.

* É médico.

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