Escrito por Alex Santos Araujo

  

Percebo nos últimos dias, uma aparente tática de difamação vinda da mídia e do governo contra os médicos brasileiros. A imagem repassada é que nós, médicos, somos insensíveis e interesseiros, alheios ao sofrimento do povo. A população, em geral, nunca soube da real condição dos médicos no Brasil, e agora é levada a acreditar que a culpa de nossa “saúde precária” é dos médicos brasileiros.

Por que apenas, agora, o governo descobriu que existem regiões em nosso país que precisam mais de médicos? Há anos essa história se repete. Parece que realmente todas aquelas manifestações geraram certa instabilidade nas bases de nosso governo, fazendo com que fosse criado um bode expiatório. É preciso dizer que os médicos brasileiros não aceitam mais (porque já aceitaram muito) trabalhar em condições desfavoráveis para o exercício de sua profissão e para o atendimento da população, que merece dignidade, respeito e uma assistência de qualidade. No entanto, falta interesse em significativos investimentos na medicina, no interior do país, com sustentação técnica, pessoal qualificado e recursos básicos.

Esta difamação que estamos vendo é injusta, hipócrita e desumana. A maior parte da população não sabe que os médicos brasileiros trabalham sob forte pressão e desvalorização salarial. A ideia de que os médicos são ricos é falsa. Nossa formação é desgastante, longa, cheia de privações e no final, corremos o grande risco de não encontrar um emprego descente. Enfim, ganha-se muito menos do que a responsabilidade assumida e o desgaste do cotidiano exigem.

De qualquer forma, é assustadora a opinião de que os médicos brasileiros são a causa do sofrimento das pessoas. Todos sabemos que apenas a presença do médico no “meio do nada” não é capaz de “salvar vidas”. E mais uma vez, presenciamos uma medida retórica de “tapa buraco” para uma questão de infraestrutura nunca completamente enfrentada. Os médicos estrangeiros chegam para salvar a nossa pátria. Não sou contra a vinda destes colegas, mas condeno a arbitrariedade, o autoritarismo e essa forma de governo populista que “arma o circo para animar a plateia”. Os médicos cubanos, portugueses, argentinos, espanhóis…  devem desembarcar no Brasil através de projetos regulamentados por leis que os ofereçam boas condições de trabalho e justiça salarial. E o mais importante é que suas bagagens teórica e prática de Medicina sejam testadas e confirmadas, antes de tudo.

Não existe preconceito ou racismo, como está sendo divulgado por ai. É apenas notória e lastimável a forma de como estes médicos vindos de várias partes do mundo serão recompensados por seu trabalho. Os cubanos, por exemplo, vão receber menos que a metade do valor pago como um salário. É nossa obrigação receber com cordialidade qualquer pessoa em “nossa casa”. É questão de respeito ao ser humano! Sejam todos bem vindos colegas médicos estrangeiros! Mas, ainda vou continuar defendendo a ideia de que no Brasil, não faltam médicos, não falta disposição. Falta vontade política.

 

  

* É médico efetivo do quadro de médicos peritos ortopedistas da Secretaria de Planejamento e Gestão (SEPLAG) do Estado de Minas Gerais.

 
    

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