Escrito por Cezar Zillig*
 
 
No final do ano passado, uma vizinha da praia me apresentou um neurocirurgião italiano que deseja emigrar para cá. A crise econômica que aflige alguns países da Europa, Itália inclusive, fez com que a renda de todos despencasse. E o pior: sem perspectivas de mudanças em curto prazo. Aos 53 anos, Giovanni está disposto a pegar mulher e os dois filhos e começar uma vida nova num país que lhe dê esperanças de um futuro melhor. Ele acha que Brasil pode ser este país. Tem ótima formação, dois anos de pós-graduação nos EEUU, e duas décadas de experiência.
Sensibilizado com a situação do colega, prometi ajuda-lo começando por me informar sobre as providências a serem tomadas. Descobri que existe um Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos chamado Revalida. Este exame é aplicado pelo INEP, Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas. O INEP é órgão do Ministério da Educação, o mesmo que aplica o ENEM. Bem, descobri que, além disto, o meu novo amigo teria de exibir um certificado de proficiência em língua portuguesa, o Celpe-Bras, outorgado pelo Ministério da Educação. Tenho repassado estas informações ao Giovanni e ele deve estar ponderando se vem ou não vem.
Ontem, enquanto fazia a barba e escutava o noticiário da manhã, soube que o governo federal, está em tratativas com o “governo” de Cuba para trazer nada menos que 6000 médicos supostamente para atuarem em áreas remotas da Amazônia e norte do Brasil. Ao que tudo indica, esta gente entrará pelas portas dos fundos sem encarar o Revalida e nem o Celp-Bras. A descarada pretensão é trazê-los ao arrepio da Lei e à revelia do Conselho Federal de Medicina, órgão responsável por zelar e atestar a legitimidade das credenciais dos profissionais médicos do país. Mais um exemplo de como o autoritário governo do PT usa a coisa publica para beneficiar apaniguados e amiguinhos comunas.
 
Instigado pela notícia, naveguei na net e descobri alguns dados absurdos: Cuba, com uma população em torno de 11 milhões de habitantes tem 25 faculdades de medicina e forma anualmente 11.000 médicos! 11.000/25=440 estudantes por classe. Isto num país caindo aos pedaços, com tudo sucateado. Onde tantos hospitais equipados para proporcionar um bom treinamento?
 
Pois que venham estes agentes de saúde, nada mais que isto. Médicos é que não podem ser. Médicos não brotam do chão como cana de açúcar.
 
* É médico e colunista do Jornal de Santa Catarina.
 Artigo publicado no impresso, edição de 13 05 13.
 
 

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