Escrito por Marco Antônio Becker*


A grande manifestação realizada no Largo Glênio Peres, no centro de Porto Alegre, no dia 30 de maio, é um marco em termos de mobilização por melhorias no Sistema Único de Saúde, uma conquista da população brasileira que precisa ser preservada e aperfeiçoada. Que ninguém espere, contudo, por resultados objetivos e concretos em curto prazo.

Os caminhos que levam a conseguir progressos na área da saúde são tortuosos. Mas que fique muito claro que sem mobilização das entidades do setor saúde e participação popular, tudo fica muito mais difícil, nada será alcançado sem união e muita luta.

E disposição para lutar é o que não falta à atual diretoria do Cremers.

Pelo contrário, como prova o evento idealizado pelo Cremers e organizado pelo Movimento Mais Saúde para o SUS, integrado também pelo Simers, Amrigs e demais entidades da área da saúde, unindo hospitais e todos os profissionais que lutam diariamente em defesa da vida, além de entidades como a Ajuris, OAB/RS e demais conselhos de classe.

Foi plantada uma semente, que deverá germinar e crescer, espalhando-se por todo o país. O Rio Grande do Sul mais uma vez é pioneiro. “Um movimento como esse só poderia partir dos gaúchos”, ouvi de uma liderança médica nacional, logo após o evento. “Talvez vocês ainda não tenham consciência da grandeza e da importância desse ato”, acrescentou o colega.

Fiquei orgulhoso, por mim e por todos os que participaram desse movimento, que há de crescer para o bem de 140 milhões de brasileiros que dependem do SUS.

Centenas deles, gente humilde que não dispõe de recursos para manter um plano privado de saúde, estavam na praça. Muitos se aproximaram para nos cumprimentar e agradecer pela iniciativa. Ouvi relatos dramáticos de pessoas que esperam há meses por consultas, exames ou cirurgias. Pessoas que se sentiram confortadas e esperançadas com o nosso movimento. Estava cansado, mas aquelas manifestações espontâneas me revigoraram.

Conversei também com muitos médicos, a maioria deles jovens que integravam as inúmeras delegações de trabalhadores da saúde que vieram de dezenas de municípios do Estado. O SUS, com um plano de carreira que valorize o médico e que ofereça condições adequadas de trabalho, poderá abrigar milhares de jovens colegas que ingressam no mercado.

Nós temos um compromisso com o presente e com o futuro da saúde e, especificamente, com o trabalho médico. Por isso, continuaremos atuando firme em muitas frentes, como a luta que travamos há anos contra a abertura indiscriminada de faculdades de medicina. O atual grupo diretivo do Cremers foi o único no país a conseguir, até hoje, o fechamento de duas faculdades, em Ijuí e Cruz Alta.

Coragem para enfrentamentos não nos falta. Pode¬mos pecar pelo excesso na defesa da saúde e do exercício ético da medicina, nunca pela omissão ou pela tibieza diante dos obstáculos.


*Marco Antônio Becker é presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio Grande do Sul (Cremers).


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