Escrito por Rubens dos Santos Silva*


“Que coisa tremenda, entristecedora a fundo. Machucou-me e espantou-me. O nosso Murilo, generoso para viver, recomeçante sempre; e tragado assim, como por um muxoxo. O mistério da vida”.

Eu não poderia falar da ausência física de Paulo Behrens sem me valer da expressão de um grande mineiro que, como Paulo, pensava o Brasil – João Guimarães Rosa; parafraseando Rosa com o seu Murilo, o nosso Paulo também  nos atordoou ao sair de cena inopinadamente no clímax do ato da vida; foi tragado por algo que jamais descreveremos e nunca entenderemos;  o ser humano nasce, vive e morre;  porque danado Paulo não completou o instante maior desse ciclo – a vida?  Um homem que carregava no mesmo balaio as duas mais legítimas e importantes características do humano, a afetividade profunda e a inteligência fulgurante, harmonicamente e sempre à disposição dos que lhe chegavam perto. A sua prodigalidade ao distribuir afetos às pessoas e ao oferecer luminosidade intelectual às atividades institucionais das quais participou, recarregavam as suas potencialidades e o estimulavam a contribuir mais e, sempre, melhor.

Somente a inteligência se lhe toldava e os seus amores eram peitados quando, compreensivelmente, o assunto era o Clube Atlético Mineiro – seu Galo, pois paixão suplanta tudo.

Paulo Eduardo Behrens, Médico, Advogado, Diretor Administrativo e Diretor de Defesa Profissional da Associação Médica de Minhas Gerais, Coordenador da Comissão Estadual do Médico, Conselheiro e Corregedor do Conselho Regional de Medicina do Estado de Minas Gerais e Conselheiro Federal por Minas Gerais. É pouco? Claro que é.  A dimensão de Paulo Behrens não pode ser entendida por titulações, posições, ângulos e posições assumidas ou enfrentadas ao longo (e tão curto) do espaço temporal em que nos brindou com a sua existência física.

Nos pareceres que elaborou para o CFM, a manifestação coerente das suas elevadas e profundas ideias em português escorreito, sempre infundia respeito e provocava reflexões entre os seus pares; nas discussões em plenário a sua participação era enriquecedora; no convívio extra CFM, mostrava-se afável, respeitoso e solidário, na sua legítima mineirice. Firme nas suas convicções e terno no trato pessoal tornou-se entre nós uma referência de lealdade e alvo da nossa admiração e do nosso bem-querer.

Mestre Paulo, na dimensão em que você estiver, e estou convicto de que ela fica na mais alta esfera universal, fique certo da sua importância para os que tiveram o privilégio da sua convivência.

NINGUÉM MORRE ENQUANTO A SUA MEMÓRIA PERMANECE.


* É conselheiro federal representante do estado do Rio Grande do Norte.

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