Escrito por Antonio Carlos Lopes*


Entra dia, sai dia, mais se fortalece a impressão de que o Brasil está à beira do caos na área de saúde. Uma epidemia de dengue assola o Rio de Janeiro, pacientes com câncer morrem na fila à espera de radioterapia, falta política de saúde consistente para o combate à AIDS, à febre amarela, e agora também à leishmaniose e à tuberculose, entre outras doenças. Enfim, o descaso com os cidadãos é público e notório.

Enquanto isso, em vez de se debruçar num plano de emergência para reverter esse quadro calamitoso, o órgão federal responsável por garantir um atendimento universal, digno e de qualidade para todos os brasileiros está longe da realidade. O máximo que faz é insistir em ações que rendem mídia, criam polêmica e geram exposição, como a distribuição de preservativo, pílula do dia seguinte, e a liberação do aborto.

Para completar este cenário, a Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação em Saúde, ligada ao Ministério da Saúde, tem insistido na proposta de formar médicos para o Sistema Único de Saúde, o SUS. Acena com a possibilidade de utilizar residentes como mão-de-obra barata, num flagrante desrespeito aos objetivos da residência médica.

Infelizmente, vem se notando a influência da citada Secretaria sobre o Ministério da Educação, apesar do bom senso, coerência e luta pela melhoria da qualidade do ensino demonstrados pelo ministro. Tal influência é testemunhada pela notícia recente de que os alunos contemplados com o financiamento estudantil poderão quitar suas dívidas com trabalho, depois de formados. Esta proposta só seria cabível após a conclusão da residência médica, pois o médico recém-formado não possui condições para exercer a profissão, principalmente em locais onde não há infra-estrutura e recursos humanos, indispensáveis para a boa prática médica.

Também planejam a temerária revalidação dos diplomas de médicos brasileiros graduados em Cuba e de cubanos. Para trabalhar no país, qualquer profissional formado fora (e isso vale para os, bolivianos, americanos, europeus, enfim, para todos) tem de comprovar que está capacitado a responder às necessidades e particularidades do nosso sistema de saúde, e ter competência profissional.

Claro que é uma insanidade daqueles que só enxergam a medicina e a saúde pela janela de seus luxuosos gabinetes. Uma política séria não pode jamais diferenciar o médico do SUS daqueles que trabalham em hospitais particulares de referência. Devemos ter profissionais bem formados para atender a todos, pobres e ricos. Os pacientes da rede pública, é óbvio, também merecem um atendimento médico de excelência.

* É presidente da Sociedade Brasileira de Clínica Médica (SBCM).

 

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