Escrito por Antonio Celso Nunes Nassif*

  

“As formigas reunidas derrubam um leão”

  

Levanta-te médico, porque este é um momento difícil e de reflexão; envolve sonhos e conquistas; hombridade e dignidade; Homens e homens. Não importa se és ou não corajoso, contanto que sempre combatas como se o fosses: a verdadeira coragem é, por vezes, uma opção.”

Iniciava assim, em maio de 1991, uma mensagem, por mim dirigida aos médicos de todo o Brasil atingidos pelos vários congelamentos de preços e serviços, acuados pelo governo e pelos diversos planos de saúde impedindo que sua entidade representativa nacional (AMB) continuasse atualizando os valores de honorários médicos por serviços prestados com base em sua Tabela (THM-e-CH).

A luta pelo direito de estabelecer honorários médicos tornava-se difícil considerando a diferença de força e poder do outro lado. Ameaças, processos, portarias ministeriais tumultuavam ainda mais a crise.  Mesmo assim, a AMB, na qual eu exercia a Presidência, não recuou, enfrentando a tudo e a todos mostrando que esse direito era sagrado em todas as profissões e exigia respeito à dignidade do médico. Era preciso, pois, chegar a todos os esculápios uma forma de encorajá-los e darem o apoio necessário que precisávamos.

Mais adiante, nesse caminho, a mensagem enfatizava: “Levanta-te médico, sai desse individualismo e dá tua parcela de contribuição para que juntos possamos vencer mais esta batalha: não nascemos fortes, tornamo-nos fortes. Dize que não te vendes por qualquer preço; que tens o direito de estabelecer valores para teu trabalho; que defendes a tua Tabela de Honorários, pois, te valoriza e dignifica.

Como acontece, ainda hoje, a desunião da classe médica é fato lamentável. Tantos anos se passaram e nós não aprendemos a lutar e reivindicar como fazem os metalúrgicos, que a um simples sinal de mobilização, os patrões procuram de imediato um acordo formal.

Analisando estes fatos, o saudoso cirurgião mineiro Júlio Sanderson de Queiroz costumava dizer: a diferença está na base dos metalúrgicos: praticamente, todos têm a mesma base familiar e econômica.  Desta forma, acrescentava o cirurgião “eles são unidos, mesmo em se odiando”.

E os médicos? Ah! Dizia ele. Não existe esse fato significativo: uns têm suas origens da classe A; outros da B; outros ainda da C. Muitos são filhos de empregados em lojas, bares, segurança pública, supermercados, etc., e lutam com muita dificuldade. Por isso, dizia o cirurgião: “eles são desunidos mesmo em se amando. Minha mensagem termina fazendo um apelo aos médicos brasileiros. “Levanta-te médico, combate com vigor e decisão aqueles que usam o teu trabalho com objetivo de lucro; não deixe que teus olhos sejam cegos, teus ouvidos não escutem e tua boca se cale diante das forças poderosas e aéticas que tentam subjugar-te e a toda classe médica. Exige que tua profissão seja respeitada como merece; mostra a todos que apesar de não teres salários justos e condições ideais de trabalho és capaz de exercê-la com honra e dignidade.” Para ser atual, esta mensagem, não precisa dizer mais nada.

 

* 79, é doutor em Medicina pela Universidade Federal do Paraná e ex-presidente da Associação Médica Brasileira (AMB).

nassif934@gmail.com

 
    

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