Escrito por Emmanuel Fortes Silveira Cavalcanti*

Os segmentos representativos da sociedade precisam se debruçar sobre a dramática situação por que passa a medicina. A medicina pede socorro.

Durante a cerimônia de formatura das turmas de medicina da Escola de Ciências Médicas (Ecmal) e da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), deste ano ouvimos discursos enfatizando o papel social dos médicos, seu sacerdócio, a perda do trato humanístico, a falta de identidade com o trabalho para o Sistema Único de Saúde (SUS) e tantas outras palavras que se perdem ao longo do tempo e que terminam por gerar médicos cabisbaixos, com baixa auto-estima por que lhe cobram o que, de fato, não lhes dão.

Medicina é sacerdócio, mas o médico não faz voto de pobreza. Abraçar a medicina é vocação pura.

Todos quanto escolhem esta carreira, o fazem com nobreza de propósitos e, via de regra, são os melhores alunos do curso médio, estudando em média 14 a 18 horas por dia para o vestibular e jornada semelhante durante o curso e a residência médicos.

Peca a universidade ao não os estimular à reflexão humanística. Peca ao estimular apenas a reflexão doutrinária de modelo assistencial que falece por si ou, os impregnar de culpa por estarem no topo das expectativas sociais e culturais.

Formados precisam se ajustar a um modelo assistencial híbrido, onde coabitam, o público, com “perspectivas de carreira desmoralizante em todos os aspectos”, e o privado, aviltado pela exploração da “mão-de-obra do médico em escala” em profundo confronto com o que a lei prescreve e o Código de Ética Médica reassegura:

“A medicina não pode ser explorada como comércio sob qualquer pretexto”.

Não podem os médicos mercantilizar a medicina, mas podem fazê-lo, seguros de saúde, planos de saúde, empresários, políticos, governos e tantos outros com o beneplácito das autoridades federais, do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

Escravos de branco, que quando não são cordeiros obedientes a quem o estiver explorando, vão para o tronco. Vilipêndio público, notas de submissão, punições extemporâneas como pagar indenizações milionárias, pobres coitados que ganham R$ 200,00 por 12 horas de plantão ou R$ 720,00 mensais por 20 horas semanais de trabalho.

Reflitam.

* É presidente do Conselho Regional de Medicina  do Estado de Alagoas (Cremal).

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