Escrito por Eleuses Vieira de Paiva*

A Associação Médica Brasileira, a Associação Paulista de Medicina, Associação Comercial de São Paulo, Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), além de outras 1.500 representações empresariais e sindicais, foram, em 2005, as patrocinadoras da grande cruzada nacional que derrubou a Medida Provisória 232, uma desastrada tentativa do governo de penalizar mais uma vez a sociedade com pesado aumento de tributação.

Neste 2006, desde o início de janeiro, estão juntas novamente no movimento “De Olho no Imposto”, que trabalha para sensibilizar os cidadãos a exigirem transparência na arrecadação e destinação de tributos.

A idéia que se busca levar à sociedade é simples e se resume no slogan “Pago, logo exijo”. Nada mais justo; afinal, somos, cada um de nós, os financiadores da Federação, de estados e municípios. Portanto, temos todo o direito de cobrar, como contrapartida, a competente gestão dos recursos públicos e os investimentos necessários em saúde, educação, moradia e em outras áreas vitais.

Hoje, a situação do Brasil é bastante complicada, e precisa de uma boa dose de cidadania para mudar. O cidadão brasileiro, infelizmente, é tratado como um ser de segunda classe, só tem deveres; quanto mais imposto paga, mais os governos querem lhe tomar.

Somos o quinto país entre os 118 que mais cobram impostos no mundo. A carga tributária corresponde a 37,5% do Produto Interno Bruto (PIB) e cresce sem parar. Em 2005, foram arrecadados R$ 725 bilhões em tributos.

O pior é que, apesar da gula arrecadatória, o Brasil teve e continua tendo um crescimento pífio. Para ter uma idéia, nos últimos dez anos, a China cresceu em média 8,5%, a Índia 6,0%, o Chile 4,0%. Ficamos em sofríveis 2,3%. O que é mais grave: nossa dívida pública já ultrapassou R$ 1 trilhão e prosseguimos detendo o triste título de campeões mundiais de juros altos.

Claro que todas essas marcas vergonhosas têm reflexos sociais. Peguemos a educação como exemplo: nada menos do 70 milhões de jovens brasileiros não têm o Ensino Fundamental completo. Na saúde, o caos também é conhecido: nossos hospitais e postos de saúde não funcionam, o Sistema Único de Saúde (SUS) está sucateado, e os profissionais não têm condições adequadas de trabalho e ganham salários aviltantes. O resultado: pacientes sofrendo em filas e vidas em risco.

As mazelas do Brasil, infelizmente, são muitas e atingem todas as áreas. Mas isso pode e deve mudar. Dias atrás, todas as entidades que engrossam o “De Olho no Imposto”, além artistas, esportistas e personalidades de segmentos diversos, lançaram um novo movimento de cidadania, o “Quero Mais Brasil”.

Nesta nova cruzada, busca-se conscientizar a sociedade de que só por meio da união conseguiremos fazer deste país uma terra de oportunidades concretas e de crescimento coletivo.

Na verdade, o intuito do “Quero Mais Brasil” é acabar definitivamente com o comodismo e com a ladainha de que o Brasil é o país do futuro. Queremos, ou melhor, devemos exigir que o Brasil seja o país do presente. Chega de esperar!

* É ex-presidente da Associação Médica Brasileira.

* As opiniões, comentários e abordagens incluidas nos artigos publicados nesta seção são de inteira responsabilidade de seus autores e não expressam, necessariamente, o entendimento do Conselho Federal de Medicina (CFM).


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