Escrito por Antonio Carlos Lopes*


Dentro da medicina moderna a hipertensão arterial não pode mais ser vista apenas como uma condição clínica caracterizada pela simples medição de rotina no consultório médico. Na verdade, pode acarretar graves alterações no organismo humano. Hoje sabemos que o diabetes melito, a obesidade e os valores alterados do triglicérides e do HDL colesterol estão intrinsecamente correlacionados à hipertensão arterial no contexto do conceito de síndrome metabólica.

O tratamento, portanto, não pode se resumir a um simples comprimido para reduzir a pressão. O grande desafio do médico é conscientizar os pacientes de que as alterações no estilo de vida, com alimentação adequada, evitando-se os excessos, e adoção da atividade física moderada, são importantes aliados contra a doença e não possuem nenhum efeito colateral, como os medicamentos. É o que chamamos de tratamento não medicamentoso da hipertensão arterial.

Hoje os pacientes têm acesso a toda informação. Cada vez mais precisam saber que a hipertensão é uma doença que geralmente começa silenciosa, sem a manifestação de sintomas específicos. Dores de cabeça, tontura, zumbido e mal-estar não são específicos e, por si só, dificilmente levam ao diagnóstico.

Em seu estado mais avançado a hipertensão arterial afeta, o cérebro, rins, olhos (retina) e as artérias. Se o diagnóstico for tardio, vários desses órgãos podem estar seriamente comprometidos, muitas vezes até de forma irreversível. O correto controle da doença é indispensável para a redução das complicações cardiovasculares mais significativas como angina, infarto, do miocárdio arritmias cardíacas, insuficiência cardíaca, acidente vascular cerebral, aneurisma da aorta, entre outros. Este controle é feito pelo acompanhamento médico com os medicamentos disponíveis mais adequados a cada tipo de paciente.

Atualmente os pacientes não são mais tratados de forma pasteurizada. O tratamento é personalizado, de acordo com as condições clínicas de cada um. Além dos medicamentos há os benefícios de uma dieta rica em fibras, facilmente encontradas nos legumes, verduras, frutas e cereais integrais, e da diminuição no consumo de sal, gorduras e açúcar refinado, além da adoção da prática de atividade física.

Não sugerimos a prática esportiva de competição, mas evitar o sedentarismo, como permanecer sentado por longas horas. É bom usar mais as escadas e menos o elevador, caminhar sempre que possível, gastar um pouco das calorias consumidas nas refeições. O consumo de bebida alcoólica deve ser controlado, sendo permitida uma taça de vinho ou uma dose de destilado ou uma lata de cerveja que não trazem prejuízo. O tabagismo deve ser eliminado.

São fundamentais o repouso físico, psíquico e mental. As férias devem ser respeitadas como um momento de descanso físico e reflexão sobre os hábitos de vida que motivam o estresse.

Os medicamentos modernos causam poucos efeitos colaterais, quando comparados aos mais antigos. Porém, de acordo com as características individuais, esses efeitos poderão surgir em maior ou menor gravidade. Destacando-se a impotência sexual no homem, diminuição da libido, sonolência, inchaço nas pernas e eventualmente dores de cabeça. É importante, contudo, que o tratamento não seja abandonado e que o médico seja consultado sempre que necessário para que, mudando o medicamento e ajustando-se a dose e os horários de tomada, esses efeitos sejam atenuados o máximo possível.

O tratamento atual da hipertensão arterial fundamenta-se no emprego de mais de um medicamento, mesmo quando é leve. De tal forma que não se deve estranhar que no mínimo dois medicamentos sejam prescritos. Na maioria das vezes, tem-se por objetivo trazer os valores pressóricos abaixo de 140 por 90 mmHg e evitar as lesões dos órgãos-alvo, isto é aqueles já citados e que são habitualmente lesados.

Os antecedentes familiares são importantes em se tratando da doença hipertensiva. Assim sendo, quando pai e mãe são hipertensos, é fundamental que, mesmo antes dos 20 anos de idade, o médico seja consultado. Raramente encontra-se a causa da hipertensão arterial e a maioria é, portanto, chamada de essencial. Mas somente após análise clínica é que este diagnóstico pode ser estabelecido.

 

* É presidente da Sociedade Brasileira de Clínica Médica (SBCM).


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