Fernando Leal*

 

Em 2011, o Conselho Federal de Medicina (CFM) estabeleceu em resolução algumas regras de publicidade médica a fim de evitar abusos e sobretudo promover a ética conforme diz o próprio documento. Em 2015, novas regras foram acrescidas a essa resolução, com o título: “Critérios para relação dos médicos com imprensa, uso de redes sociais”. Por que isso? Simplesmente porque alguns “profissionais” começaram a usar as redes sociais para propagar coisas que deveriam ficar restritas aos consultórios ou aos leitos dos hospitais, contrárias, portanto, ao que diz a proibição de “expor a figura do paciente como forma de divulgar técnica, método ou resultado de tratamento”. Situações como “minha primeira cirurgia solo”, com fotos do paciente “adormecido”, serviram como referência para a atualização do documento de 2011.

O interessante é que a criação do Facebook data de 2004, sete anos antes da primeira resolução do CFM que tratou de disciplinar essas exposições médicas. Mesmo com essa rede já em plena efervescência, o legislador não previu que a insanidade de alguns profissionais chegasse ao ponto de expor os pacientes da forma como tem sido visto ultimamente, assim, optou-se por atualizar a resolução.

É claro que isso não diz respeito apenas aos médicos. Em todas as profissões podem-se encontrar profissionais que pensam em tudo menos na ética quando estão usando as redes sociais para se promover. Mas os médicos saíram na frente e devem servir de referência para que outros conselhos sigam nessa mesma direção de disciplinamento.

Essa exposição nem sempre tem o caráter que os médicos perseguem na resolução: proteger o paciente. Muitas vezes, inadvertidamente, as pessoas postam palavras ou imagens que só as maculam. E quando cai na rede, amigo, já era . Passa a ser conhecimento do mundo. Em cursos para professores, por exemplo, estou sempre os advertindo sobre os cuidados com o que postam, pois muitos de seus discentes os seguem, e o exemplo que dão pode arrastar diversos deles por caminhos que nem sempre são os mais retos.

Como essa notícia da medicina foi alvo de muitas matérias jornalísticas, é possível que tenha tocado também o coração de muitas pessoas, levando-as a refletir um pouco sobre o que postam nas redes sociais. Por exemplo, por que tenho de contar ao mundo, depois do fim de uma relação, que já estou com uma namorada nova? Tudo bem, eu sei que é bom para o ego de qualquer um que a outra pessoa saiba que você está “por cima da carne seca”. Mas será que o mundo todo também precisa saber? E se essa relação que se achava que seria para todo o sempre se mostrar efêmera, e eu tenha de apagar tudo que, descuidadamente , postei para o mundo ver? Não é uma frustração que poderia ter sido evitada?

Então, é possível que você se pergunte: o que posso postar que não me comprometa tanto? Tenho uma regra básica para isso que funciona comigo, o que não quer dizer que é uma regra geral e que todos devam seguir esse modelo. Antes de clicar em “Publicar”, sempre me pergunto: “Isso que estou postando vai fazer bem para meus seguidores no momento em que lerem essa mensagem ou ela só é boa para o meu ego e não vai edificar em nada as pessoas que a lerem?” Não custa nada pensar um pouco sobre isso, não é?

 

* Pedagogo. E-mail: fleal13@hotmail.com.

 
    

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