Escrito por Herbert Marçal*


O receituário médico em tempos atuais está sendo escopo de propagandas nacionais no sentido de incentivar o profissional a redigi-lo de uma forma legível. Grande parte das vezes o medicamento prescrito pelo profissional não é identificado ou até mesmo embaido por outro, por conta de uma caligrafia ilegível. Julgo que nós, médicos, deveríamos diligenciar melhor a prescrição de uma forma que seja traduzida pelo próximo, evitando assim consequências nefastas para o paciente. Também, os Conselhos de Medicina e Farmácia estão promovendo campanhas educativas no sentido de melhorar o receituário médico. Legítimos esses esforços para consecução de melhorias de resultados

manuscritos do receituário profissional. Todavia, a grafia legível veio para ficar, tratando-se no futuro de uma atitude inevitável. E, isto é evolução. Em seguida a esse processo, lembramos que o médico tem que cumprir o seu dever, ou seja, tem que fazer uma boa anamnese, examinar o paciente, em alguns casos solicitar exames, anotar minuciosamente no prontuário, preencher formulários e relatórios e finalmente tratar prescrevendo com letra legível. Devemos, no entanto, estar preparados para constatar e, sobretudo, somos forçados a admitir que é necessário tempo para atendermos uma consulta com toda esta arte acadêmica respeitando e atendendo o paciente de uma forma integrada. Uma consulta pelos planos de saúde ou mesmo um procedimento cirúrgico, os valores são aviltantes, imaginem então o médico que atende pelo SUS ou opera por este sistema. Assim, para ter uma remuneração digna tem que atender um grande volume de pacientes em um curto espaço de tempo. Não seria de bom tamanho, antes ou mesmo associado a esse intento, defender uma remuneração justa, proporcionando uma qualidade melhor da consulta médica em todos os sentidos, inclusive na caligrafia. Outrossim, para que o profissional cumpra o seu dever de uma forma plena, necessita que seus direitos sejam respeitados. Ou seja, precisa de tempo para exercer a arte da medicina de uma forma cabal. Não se deve olvidar, ainda, que temos que dar condições a esse profissional, atropelado pelos planos de saúde e, principalmente, pela saúde pública, a prerrogativa de ouvir, escutar, auscultar, examinar, solicitar exames, enfim, proceder a arte médica e só depois tratar, prescrevendo com letra legível, num intervalo de tempo legítimo. Entretanto, obviamente, como imaginar uma caligrafia descente sem antes dar condição ao médico de fazê-la sem atropelos. Igualmente, o bom senso é a observação da realidde.

* É médico ginecologista e obstetra.

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