Escrito por Antonio Carlos Lopes*


Chamado de mal do século e classificado como um dos principais vilões da vida moderna, o estresse é cada vez mais freqüente. Atinge a todas as camadas da população sem distinção de credo, cor ou faixa etária. É bastante simples entender os motivos dessa epidemia. Dia a dia, a sociedade se torna mais complexa e competitiva. E o cidadão, quase sem perceber, embarca nas cobranças e na busca de metas, deixando seu bem-estar em segundo plano. Cede, enfim, às pressões do trabalho, das relações interpessoais, e adquire hábitos nocivos à qualidade de vida.

Os executivos, por exemplo, padecem com as dificuldades do negócio e financeiras, perseguem incessantemente o lucro e nem têm tempo para ao menos se alimentar regradamente. Homens e mulheres sofrem com relacionamentos difíceis e com rotinas ilógicas. Crianças são submetidas a maratonas inexplicáveis, sendo obrigadas a conciliar escola e cursos de todos os tipos, às vezes, apenas para atender aos anseios dos pais, e nada mais. Dessa forma, ficam mais e mais comuns as reações descontroladas às imposições e problemas do dia-a-dia. Medo, ansiedade, mudanças repentinas, depressão, barulho, violência e trânsito são outros fatores permanentes na vida de milhões de pessoas em todo mundo e agentes implacáveis do chamado mal do século.

Em meio aos contratempos e à agitação, o homem aduba a agressividade. Nem se dá conta, mas começa a reagir de maneira nociva a situações de grande pressão. Esse comportamento só contribui para desestabilizar a saúde física e psicológica. O estresse é um estado de sofrimento do organismo determinado por um fator físico ou emocional denominado estressor. Este agente pode ser, por exemplo, um trauma físico, como um acidente, ou emocional, como uma notícia desagradável. É importante ressaltar que a resposta do organismo ao estressor é sempre a mesma, independentemente do seu tipo, variando a intensidade do sofrimento do organismo em função da sua gravidade e da característica do próprio organismo.

O fundamento básico da resposta orgânica está na liberação de adrenalina, um hormônio produzido pela glândula supra-renal, que, quando liberado em excesso, em relação à necessidade, determina uma série de alterações, que espelham o sofrimento do organismo. Entre elas, aumento da pressão arterial, dos batimentos cardíacos, sudorese, palidez, elevação do açúcar no sangue, diarréia, dor de estômago, irritabilidade, insônia, dor de cabeça e deficiência de concentração.

O estresse é, portanto, uma situação de sofrimento que, em função das características do organismo e da intensidade do agente estressor, poderá manifestar-se por uma ou várias das situações citadas. O agente agressor (estressor), atingindo o organismo intensamente, poderá, portanto, determinar alterações graves não suportáveis e acarretar a morte por alterações do ritmo cardíaco, infarto do miocárdio, crise hipertensiva com acidente vascular cerebral, comumente denominado derrame. O estresse quando não muito intenso, porém prolongado, leva o organismo a uma situação de adaptação em que o sofrimento persiste, sem que o indivíduo o perceba, porém com conseqüências clínicas tardias e muitas vezes irreparáveis. O estresse deve, portanto, ser evitado, eliminando-se suas causas. Evidentemente que nem sempre isso é fácil de ser conseguido, principalmente nos dias de hoje em que a competitividade profissional é grande e muitos trabalham sob pressão em busca de resultados. Para que o estresse seja evitado é importante evitar a competitividade desnecessária, eliminar o tabagismo e o alcoolismo, praticar esporte regularmente, dormir o suficiente para descansar, desenvolver as atividades em ambiente tranqüilo e com boa ventilação (ar condicionado não é aconselhável), saber aproveitar as férias, controlar o sentimento de culpa, e saber administrar os problemas familiares sem angústia.

É de grande importância submeter-se à avaliação anual da saúde, principalmente após os 40 anos de idade, ou antes quando os antecedentes familiares são indicativos de alguma doença, procurando sempre a orientação médica. Por último, o fundamental é procurar ser feliz e não o melhor. As crianças devem praticar esporte, estudar, ter responsabilidade, mas sem deixar de ser criança e ter tempo para brincar.


*Antonio Carlos Lopes é presidente da Sociedade Brasileira de Clínica Médica.


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