Escrito pelo médico Jales Silvestre de Nogueira Braga.

Recebi com imenso pesar a notícia da morte do Superman. Pensei que ele não morreria jamais! Assim como pensava que outros heróis da minha vida também jamais morreriam.

Minha infância, período tão fértil em imaginação, foi essencialmente marcada pela presença de alguns heróis, como meu Pai e o Superman. Meu pai tem importância dupla, pois é herói como Pai e como Médico.

A semelhança dessas três figuras heróicas é impressionante. Para uma criança, inevitavelmente, seu pai sempre será um herói! Mas quero mesmo ressaltar é a íntima semelhança entre o Superman e o Médico. Lembro-me quando fui ao cinema à primeira vez assistir o Superman, isto foi no ano de 1982 na pequena sala do cinema municipal de São Miguel do Araguaia, interior de Goiás… muitos dos meus amigos atuais nem haviam nascido ainda. O cinema estava lotado, todos na expectativa de ver o grande herói. Cena após cena o que se via era um alvoroço de alegria e felicidade, a molecada gritava, arregalava os olhos nas cenas onde nosso herói parecia que ia sucumbir, mas delirava quando de repente lá estava ele em seu vôo imponente e solitário com sua capa a flutuar pelos céus – a batalha estava ganha!

Saímos do cinema maravilhados com aquilo tudo. Pouco tempo depois eu perderia meu pai em um acidente. Os heróis morrem!

Porém, a partir daquele momento, uma comparação foi inevitável: todo Médico tem um pouco de Superman. Ambos têm seu uniforme; ambos têm a mesma meta; ambos têm superpoderes e ambos são igualmente bons. A cada vôo do Superman uma vida era salva e quantas vidas não são salvas por médicos mundo a fora? E os superpoderes! Chego a rir em pensar nos superpoderes, mas um riso de alegria, esperança e fé. A força descomunal daquele herói vermelho azulado, a determinação de um médico no seu ofício, a supervisão e a intuição aliada ao conhecimento do Homem quando da feitura de um diagnóstico é algo tão semelhante e incrível que acredito serem dons divinos. Mas o maior poder deles, médicos e heróis, é ao final de cada batalha pela vida, encontrar força para nos olhar nos olhos e sorrir. Jamais esquecerei o sorriso de meu Pai e o de Clark Kent – heróis que tive e perdi!

Ser herói é saber que mesmo com superpoderes, fé e esperança, às vezes nada se pode fazer….ser herói é aceitar que a vida tem seus limites impostos por Deus e que não lhes cabe julgar; ser herói é saber chorar.

Ser herói e ser médico é também conciliar as vidas paralelas que se têm: ser pai (mãe), marido (esposa), filho (a) e amigo (a). Na infindável campanha pela vida muitos desses heróis passam horas e até dias sem ver seus entes queridos. Ser herói não tem hora, não tem lugar.

Mas um dia os heróis se vão e não mais voltam, deixando uma imensa saudade, uma tristeza.

Ser Herói é ser Médico.

Dia 18 de outubro, Dia do Médico.

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