Escrito por Fernando Amaral de Queiroz*

 

O Diagnóstico foi fácil! Não fui o primeiro nem sou o último a fazê-lo.

O SUS sofre de “DESNUTRIÇÃO FINANCEIRA CRÔNICA e MAUS TRATOS”!

Aposentado há 5 anos, no início deste ano me pediram que assumisse o cargo vago de Diretor Técnico do único Hospital (Santa Casa) de uma Cidade do Sul de Minas onde cheguei em 1977 após exercer por cinco anos a medicina no Rio de Janeiro.

Desde sempre, as Santas Casas lutam para equilibrar finanças e desde os tempos do INAMPS e posteriormente com o SUS, têm seus serviços mal remunerados e deficitários além dos indecentes honorários pagos aos médicos.

Anteriormente, porém, apesar de não possuirmos grandes recursos tecnológicos, conseguíamos transferir nossos Pacientes para Hospitais mais especializados com um simples telefonema, onde podíamos descrever e discutir de médico para médico a indicação da transferência e sensibilizar o colega do outro lado do fio para aceitar nosso Paciente e dar seguimento e resolução ao caso.

Como as coisas mudaram! Infelizmente, na prática, para pior! Certamente nós, Médicos de terceira idade já vimos dias melhores.
Admito que a intensão deva ter sido boa, mas os convênios atuais, sobretudo o “SUS FÁCIL” (uma grande ironia!), têm tornado o que já era difícil em IMPOSSÍVEL!

A Central de vagas, uma ideia maravilhosa no papel tem se mostrado totalmente ineficaz, com laudos informatizados e impessoais, onde fica muito mais fácil se recusar uma internação por falta de vagas ou simplesmente por suspeita de aquele Paciente descrito no papel não corresponda exatamente à realidade da patologia apresentada e venha a significar mais despesas e déficit ao Hospital solicitado.

A sabedoria popular que afirma que “o que os olhos não veem e os ouvidos não ouvem o coração não sente” se confirma a cada pedido de vaga em Serviços de maior tecnologia e resolutividade.

A carência de vagas em Serviços Especializados de UTI Pediátrica, Neonatal, Neurocirurgia e Cirurgia Vascular, para citar alguns, cria situações verdadeiramente desesperadoras para nós médicos que vemos a vida dos nossos pacientes escorrer pelos nossos dedos, sabendo o que precisaria ser feito e não ter condições para fazê-lo.

Os familiares dos Pacientes que aguardam estas transferências não ficam menos desesperados e, frequentemente acabam por responsabilizar quem os atendeu por último pela inexistência das vagas solicitadas.

Acredito que os Gestores do Alto escalão do SUS, Secretários de Saúde e Ministros desta área não são Médicos e se forem, certamente já esqueceram o que é estar nesta situação.

Fica muito confortável definir Políticas de Saúde, Portarias e Restrição de verbas para a Saúde, por detrás de escrivaninhas e em Gabinetes a quilômetros de distância destes problemas. O próprio CFM tem denunciado a restrição de verbas para a Saúde, com bilhões de Reais deixando de ser aplicados anualmente!

Aumentar o número de Escolas Médicas ou simplesmente ter mais Médicos não é solução, se não houver investimento em infraestrutura, sua manutenção e pagamentos que cubram realmente as despesas Hospitalares e dignifique o atendimento médico.

Cobrar sempre foi mais fácil e atraente do que ser cobrado e de cobranças o Governo entende!

Quando uma criança sofre de maus tratos pelos pais a Justiça retira dos mesmos a guarda dos filhos e os coloca sob a tutela do Estado.
Mas, e quando é o Estado quem maltrata? A causa da doença do SUS está na forma e no descaso com que ele é tratado. A quem a Justiça vai entregar a tutela do SUS?

Será que já não é tempo de se inverter a cobrança? Não caberia à Sociedade Civil e às Entidades de Classe uma representação Judicial contra os Gestores do SUS ou contra o Ministério da Saúde pela falta de financiamento à Saúde?

Se a Saúde é direito do cidadão e dever do Estado como reza a Constituição, por que esta Lei não é cumprida?

 

* É médico pneumologista e perito do INSS aposentado e atual Diretor Técnico do Hospital São Francisco de Assis da Santa Casa de Misericórdia de Três Pontas, Minas Gerais. CRM-MG 10177

     

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