Editorial do O Estado de S. Paulo classifica levantamento do CFM como “contundente” Imprimir
Qua, 29 de Março de 2017 12:40
O jornal O Estado de S. Paulo publicou na edição desta quarta-feira (29) o editorial “O desastre 'social' do PT”. No texto, destaca levantamento produzido pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) a respeito da redução de leitos no país. A análise afirma que o trabalho realizado pela autarquia é “contundente”.
 
Entre os pontos destacados no estudo do Conselho (acesse aqui), divulgado no ano passado, há a denúncia de perda de 23.565 leitos em hospitais da rede pública. Esse total baixou de 335.482, em 2010, para 311.917, em 2015. O editorial considera a redução de 7% do total “um baque considerável e num período curto”.
 
O jornal ainda traz a situação da pediatria. Segundo trabalho feito pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), a rede que atende ao Sistema Único de Saúde (SUS) perdeu 10,1 mil leitos para internação na área de pediatria em apenas seis anos, entre 2010 e 2016. Só no que se refere a Unidades de Terapia Intensivo (UTIs) neonatais, para atender recém-nascidos em estado grave, o déficit é estimado em 3,2 mil leitos.
 
Comentando os estudos do CFM e da SBP, a análise do jornal ainda adverte: “Uma situação irregular e perigosa”. Segundo o editorial, o irresponsável desleixo com a saúde pública é mais um legado dos governos de Lula da Silva e Dilma Rousseff. “Ele deixa ao desamparo milhões de brasileiros de baixa renda que acreditaram no PT e nas suas mirabolantes e demagógicas promessas”.
 
Confira abaixo a íntegra do editorial:
 
O ESTADO DE S. PAULO - SP
29/03/2017
 
O desastre 'social' do PT (Editorial)
 
A cada novo levantamento da situação dos hospitais da rede pública, feito por entidade respeitável da área médica, fica mais patente o desastre que foram os governos de Lula da Silva e Dilma Rousseff, especialmente este último, para a saúde. São os números desmentindo implacavelmente a demagogia do PT, que desde sua origem se apresentou como o campeão das causas sociais e que, quando chegou ao poder e nele ficou 13 longos anos, malogrou justamente num dos setores de importância vital para as camadas mais carentes da população.
 
Segundo trabalho feito pela Sociedade Brasileira de Pediatria, a rede que atende ao Sistema Único de Saúde (SUS) perdeu 10,1 mil leitos para internação na área de pediatria em apenas seis anos, entre 2010 e 2016. O número desse tipo de leitos em hospitais públicos e conveniados passou de 48,2 mil para 38,1 mil naquele período, como mostra reportagem do Estado. Só no que se refere a Unidades de Terapia Intensivo (UTIs) neonatais, para atender recém-nascidos em estado grave, o déficit é estimado em 3,2 mil leitos.
 
A presidente daquela sociedade, Luciana Rodrigues Silva, considera a situação "gravíssima", porque muitas vezes crianças precisando de cuidados médicos que chegam a serviços de pronto-socorro não têm para onde ser encaminhadas.
Com isso, "sofrem a família, a criança e a equipe médica".
 
E esse é um quadro presente em todos os Estados, dos mais ricos aos mais pobres.
 
Basta dizer que o que mais perdeu leitos foi São Paulo (4.832), seguido por Bahia (3.611), Minas Gerais (3.266), Rio Grande do Sul (2.388) e Ceará (2.377).
 
As explicações do Ministério da Saúde não convencem. A redução de leitos teria ocorrido em consequência de mudança no perfil epidemiológico e da tendência mundial à desospitalização, com tratamentos que antes exigiam internação sendo feitos em ambulatório e em casa. O Ministério alega ter aumentado em 12% os investimentos na área pediátrica entre 2010 e 2016, expandindo a oferta de leitos para casos de maior complexidade.
 
A se crer no que diz o Ministério, tudo estaria no melhor dos mundos - com o País apenas se ajustando a novas realidades -, mesmo com a perda de nada menos do que 10,1 mil leitos hospitalares. Muito mais próxima da verdade parece estar a apreciação de Luciana Rodrigues Silva, corroborada por depoimentos, colhidos pela reportagem, de várias famílias que tiveram de enfrentar a falta de leitos para seus filhos.
 
As justificativas oficiais de agora são as mesmas apresentadas por ocasião da divulgação de levantamentos anteriores, mostrando a diminuição cada vez maior da capacidade hospitalar da rede pública. À luz do mais contundente estudo desse tipo, divulgado no ano passado, o que se passa no setor de pediatria se enquadra perfeitamente no desolador panorama geral de decadência da saúde pública nos governos petistas.
 
Trabalho feito pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) - com base em dados oficiais - mostrou que em cinco anos, de 2010 a 2015, os hospitais da rede pública perderam 23.565 leitos, passando de 335.482 para 311.917. Ou 7% do total, um baque considerável e num período curto. Já então o Ministério falou na tendência à desospitalização, citando como exemplo o caso dos leitos de hospitais psiquiátricos fechados, que registraram diminuição de 7.726 (de 32.735 para 25.009). Por importante que ele tenha sido, falta a diferença de 15.839 (23.565 menos 7.726).
 
É por essa e outras razões que o CFM considerou o quadro mostrado em seu trabalho como "alarmante" e lembrou que a insuficiência de leitos é um dos fatores que aumentam o tempo de permanência de pacientes nos serviços de emergência, nos quais acabam "internados" à espera de vagas.
 
Uma situação irregular e perigosa.
 
O irresponsável desleixo com a saúde pública é mais um legado dos governos de Lula da Silva e Dilma Rousseff. Ele deixa ao desamparo milhões de brasileiros de baixa renda que acreditaram no PT e nas suas mirabolantes e demagógicas promessas.