Rede dos Conselhos de Medicina
Bioeticista fala sobre Injustiças na Saúde Humana e Mercado de Órgãos Imprimir E-mail
Qua, 30 de Outubro de 2002 21:00
O sanitarista e ex-senador italiano, Giovanni Berlinguer, abriu o ciclo de conferências do Sexto Congresso Mundial de Bioética, nesta quinta-feira, 31, no Americel Hall/ Academia de Tênis de Brasília. Berlinguer abordou o tema que dá nome ao encontro, Bioética, Poder e Injustiça. Amanhã, dia 1° de novembro, seu tema é Mercado Humano, na mesa-redonda Doação e Transplantes de Órgãos, de 14h às 15h30. Bioética, Poder e Injustiça Na primeira conferência, o médico sanitarista italiano criticou o poder da medicina sobre o paciente, com reflexos sobre a liberdade individual, e destacou que a bioética está abrindo novos horizontes para as decisões quanto a nascimento e morte, terapias e relacionamentos entre as gerações de espécies de seres vivos. "Há uma reação moral contra as injustiças cometidas em relação à saúde humana, e o interesse crescente pela bioética tem rompido com a indiferença e ajudado a abrir novos caminhos", avalia Berlinguer, atual presidente do Comitê Nacional para a Bioética da Itália e membro do Comitê Internacional de Bioética da Unesco. Doação e Transplantes de Órgãos Com a palestra Mercado de Órgãos, Berlinguer vai reabrir uma polêmica que ganhou força no final dos anos 90, e que ainda hoje é manchete, em função da expansão descontrolada do comércio de rins, principalmente no Brasil. Perfil de Berlinguer Formado em Medicina e Cirurgia, ex-professor nas universidades de Sassari (1969-74) e La Sapienza de Roma (1975-99), Giovanni Berlinguer foi deputado (1972-83) e senador da República Italiana (1983-92), pelo extinto Partido Comunista Italiano (PCI), hoje Partido Democrático de Esquerda (PDS), onde ainda é um dos militantes mais respeitados. É também reconhecido como uma das maiores autoridades mundiais das áreas de saúde pública e medicina social. Exerceu papel fundamental no desenvolvimento da Reforma Sanitária Italiana e sua atuação atravessou as fronteiras européias, vindo influenciar toda uma geração de médicos brasileiros durante a ditadura militar. Sua primeira visita ao país foi em 1951, como presidente da União Internacional dos Estudantes, para um encontro da UNE. Carlos Lacerda dizia que ele era "Goffrey Berlink", um comunista russo infiltrado, e tentou expulsá-lo do país. Em 1999, quando voltou ao Brasil para receber os títulos de cidadão honorário de Brasília e de doutor honoris causa da Universidade de Brasília, recordou o fato em discurso, dizendo: "Lacerda quis me tirar o direito da cidadania italiana, e agora eu ganho a brasileira...!".
 
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