Rede dos Conselhos de Medicina
Responsabilidade Social: Conheça o CFM Solidário Imprimir E-mail
Qua, 31 de Julho de 2002 21:00
Em maio deste ano, os funcionários do Setor de Informática do CFM apresentaram à diretoria do órgão a proposta de criação do CFM Solidário, um projeto voltado para o combate à exclusão digital. Segundo Goethe Ramos, coordenador do Centro de Informática do CFM, “ a idéia da criação do projeto surgiu da nossa preocupação em relação à grande carência de conhecimentos na área de informática ” . Na opinião de Ramos, atualmente, o profissional que não possui tais conhecimentos, certamente encontrará grande dificuldade para colocar-se no mercado de trabalho, “ por isso, resolvemos multiplicar nossos conhecimentos nesta área, exercendo também uma prática socialmente responsável ”. A afirmação de Ramos pode ser confirmada com os dados do Censo 2000, divulgados pelo IBGE, que revelam que o Brasil tem apenas entre 10 e 20 usuários de informática por 100 mil habitantes, número considerado baixo para o padrão mundial. Uma pessoa residente, em São Paulo, por exemplo, gasta no mínimo R$ 30,00 por mês para se conectar à Internet e ter aceso a Sociedade da Informação. Para ter um computador em casa esta mesma pessoa terá que dispor de no mínimo R$ 1200,00. Para ter acesso à Internet veloz, a chamada banda larga, será necessário dispor de mais R$ 120,00 mensais. Esses valores indicam, concretamente, que a chamada era da informação está distante da grande maioria da população. Os atualmente excluídos dos benefícios da sociedade urbano-industrial serão ainda mais excluídos da sociedade em rede, baseada na informação e no conhecimento. A brecha digital não é apenas um reflexo da exclusão social. As distâncias no mundo informacional vão se ampliando em velocidade extrema. Combater a exclusão digital deve ser objeto de políticas públicas e de iniciativas da sociedade civil organizada também. É fundamental para a educação do nosso povo, para a preservação de nossa cultura, para a requalificação profissional de nossos trabalhadores, para a criação de postos de trabalho de maior qualidade, para afirmação dos direitos das mulheres e crianças, para a construção de uma “e-cidadania” e para dar um salto em nosso desenvolvimento tecnológico a constituição de um plano de inclusão e alfabetização digital. Pesando todos estes argumentos, a proposta de criação do CFM Solidário foi analisada e aceita pela diretoria do órgão. Com a adoção desta política de responsabilidade social, o comportamento dos gestores do CFM também foi modificado, uma vez que, agora, cabe a eles assumir a postura de empreendedores sociais, tornando-se os principais agentes responsáveis pela transformação social. Para o presidente do CFM, Edson de Oliveira Andrade, a idéia de implementar políticas de responsabilidade social na instituição não significa apenas uma mudança no comportamento ético do CFM, pois a globalização, na medida em que pressupõe uma evolução dos meios de comunicação e das tecnologias de informação, influi também na conduta das empresas, pois seus atos passam a ser cada vez mais públicos e, logo, sujeitos ao controle social, o que demanda um cuidado muito maior com a imagem que as organizações transmitem à sociedade. Segundo, Rubens dos Santos Silva, secretário-geral do CFM, ser socialmente responsável não significa somente respeitar e cumprir as obrigações legais de uma empresa, mas sim o fato das empresas, por meio dos seus funcionários e dirigentes irem além de suas obrigações em relação ao seu capital humano, ao meio ambiente e a comunidade, por perceberem que o bem-estar destes reflete em seu próprio bem-estar. Desde o dia 23 de julho, um grupo de sete funcionários do Setor de Informática do CFM está ministrando, voluntariamente, às terças, quartas e quintas-feiras, entre 17:30 e 19:00 horas, aulas gratuitas de informática, na sede do CFM, em Brasília. A data prevista para a conclusão do curso é 25 de outubro. A primeira turma beneficiada pelo projeto CFM Solidário conta com 10 alunos, que foram escolhidos dentre as pessoas que prestam serviços terceirizados à instituição e não têm acesso às tecnologias da informação e muito menos recursos para custear cursos de informática. De acordo com Cássia Celeste de Quadros, uma das “professoras de informática” do projeto, a idéia é avaliar os resultados desta primeira turma, para que depois, uma nova seleção de alunos seja feita, com os filhos destes primeiros alunos, que, assim como os pais, também não têm acesso ao universo digital. Segundo Walder de Miranda Júnior, outro profissional que está ministrando as aulas, os conteúdos priorizados para este projeto piloto foram a introdução ao processamento de dados, noções de automação de escritório (como o uso do Word, Excel, Power Point, Windows) e utilização da Internet (como pesquisa, navegação, uso do e-mail). Descobrindo o Mundo Digital O perfil da primeira turma de alunos do CFM Solidário reflete bem a camada mais desfavorecida da população brasileira, são profissionais que moram na periferia de Brasília, que estão numa faixa etária que varia de 26 a 50 anos, e que contam apenas com o 1° Grau, que para alguns, ainda está incompleto. Para Irdeu Rodrigues da Silva, 42 anos, 1° grau completo, a importância do curso é imensa e difícil de ser traduzida em palavras. Ele espera que o curso lhe dê uma base sólida para conseguir um bom emprego, ele anseia por obter mais conhecimentos e se aperfeiçoar. Quem também começou a fazer novos planos para o futuro é Isael Alves Coutinho Filho, 51 anos, que também só tem o 1° Grau, mas desde que começou as aulas descobriu dentro de si uma vontade muito grande de aprender mais, e promete aproveitar esta oportunidade que o CFM está lhe oferecendo com “unhas e dentes”.
 
Banner
Banner
Banner
Banner
Banner
Banner
Banner
Banner
Banner
Banner
Banner
Banner
Banner
Banner
Banner
Banner
Banner