Rede dos Conselhos de Medicina
Selecione o Conselho que deseja acessar:
Pediatras debatem as consequências do alcoolismo e do uso de drogas na infância e adolescência no III Fórum Imprimir E-mail
Seg, 20 de Novembro de 2017 08:23

Participantes se mostraram preocupados com o histórico de violência contra crianças
A segunda parte do III Fórum de Pediatria, promovido pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) nessa sexta-feira (17), em Brasília, debateu os efeitos deletérios do consumo de álcool e do uso de drogas no desenvolvimento de crianças e adolescentes, com reflexos na vida adulta. A primeira apresentação, do professor e pesquisador da Universidade de São Paulo (USP) João Paulo Becker Lotufo, trouxe dados epidemiológicos sobre o consumo de tabaco e álcool.

Segundo Lotufo, o consumo de álcool por parte dos adolescentes causa afogamento, gravidez indesejada, doenças sexualmente transmissíveis e problemas escolares, entre outros transtornos, já que geralmente o álcool é a porta de entrada para as drogas ilícitas. Como forma de diminuir “a epidemia do consumo de álcool e drogas”, ele sugeriu a adoção de medidas políticas, como o fechamento de bares a partir das 23h e a sobretaxa de bebidas alcóolicas, “que podem fazer muito mais efeito do que aconselhamentos nossos”. Lotufo também falou sobre o projeto WWW.drbarto.com.br, no qual ele realiza trabalhos de prevenção em escolas municipais de São Paulo. A apresentação pode ser acessada aqui.

Em seguida, o coordenador do Núcleo de Estudos e Tratamento do Tabagismo (NETT) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Alberto José de Araújo, discorreu sobre o consumo de maconha e crack. “Temos de quebrar o mito de que a maconha é inofensiva. Seu consumo causa problemas de concentração, na capacidade de aprendizagem e memória”, argumentou. Já o crack causa a síndrome do zumbi, “em que a pessoa não está morta, mas também não está viva”. Pesquisa realizada pela Fiocruz em 2013 mostrou que 370 mil brasileiros usam drogas regularmente, sendo que 10% das mulheres entrevistadas estavam grávidas, “e provavelmente seus filhos apresentarão síndrome de abstinência”. Acesse aqui a apresentação.Participantes ficaram até o final do III Fórum de Pediatria

Os aspectos legais relacionados ao consumo de drogas foram abordados pela coordenadora do Departamento Científico de Segurança da Criança e do Adolescente da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), Renata Waksman. Após explicar como evoluiu a legislação internacional e nacional quanto à criminalização do consumo, Renata defendeu medidas para reduzir o consumo do álcool, como o aumento da carga tributária sobre bebidas, maior fiscalização quanto à idade mínima e uma maior regulamentação da propaganda. A apresentação pode ser lida aqui.

A profilaxia em relação à dependência química em adolescente foi o tema do diretor do Conselho Regional de Medicina do Distrito Federal (CRM-DF) e médico do Hospital de Base de Brasília, psiquiatra infantil Tiago Vieira. Em sua apresentação, ele apresentou os fatores que tornam um adolescente mais vulnerável, como a exposição a eventos traumáticos e ao consumo de álcool e drogas pela mãe durante a gravidez, a facilidade de acesso e o contato com outros usuários. O modelo familiar também pode ser um fator. “Famílias autoritárias, negligentes ou indulgentes implicam riscos. Já o modelo autoritativo, em que esteja presente muito amor, com limites, é o mais apropriado”, defendeu. Leia, aqui, a apresentação.

Durante os debates, foi defendida a necessidade de os médicos, independentemente da especialidade, trabalharem na prevenção do uso de álcool e drogas. “Em toda consulta, falamos sobre a importância de a pessoa evitar o tabaco, precisamos ter o mesmo comportamento em relação ao álcool e às drogas ilícitas”, defendeu Lotufo.

 
Banner
Banner
Banner
Banner
Banner
Banner
Banner
Banner
Banner
Banner
Banner
Banner
Banner
Banner
Banner
Banner
Banner

© PORTAL MÉDICO 2010 - o site do Conselho Federal de Medicina -Todos os direitos reservados
SGAS 915 Lote 72 | CEP: 70390-150 | Brasí­lia-DF | FONE: (61) 3445 5900 | FAX: (61) 3346 0231| E-mail: cfm@portalmedico.org.br | CNPJ: 33.583.550/0001-30