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Demografia Médica 2015: População que depende do SUS tem três vezes menos médicos que usuários de planos de saúde Imprimir E-mail
Seg, 30 de Novembro de 2015 00:00

 

É três vezes mais fácil encontrar um médico no setor privado do que no Sistema Público de Saúde (SUS). A confirmação dessa hipótese está na segunda parte do estudo Demografia Médica, realizado pela Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) com apoio do Conselho Federal de Medicina (CFM) e Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp), o qual foi lançado nesta segunda-feira (30), na capital paulista. Acesse a íntegra da pesquisa Demografia Médica do Brasil 2015

 
O inquérito revelou que 21,6% dos médicos trabalham apenas no setor público, enquanto 26,9% estão exclusivamente no setor privado. Como há sobreposição – 51,5%, dos médicos atuam concomitantemente nas esferas pública e a privada – pode-se afirmar que 78,4% dos médicos têm vínculos com o setor privado e 73,1%, com o setor público.

No entanto, o suposto equilíbrio numérico de médicos no público e no privado, precisa, no entanto, ser relativizado. É imensa a desigualdade de concentração dos médicos a favor do setor privado, se consideradas as populações cobertas pelo Sistema Único de Saúde (75% da população utilizam exclusivamente o SUS) e pela assistência médica suplementar (25% da população, além do direito ao SUS, têm plano ou seguro de saúde).

Em 2014, segundo estimativa do IBGE, o país tinha 201.032.714 habitantes. Em junho de 2015, de acordo com os números da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), os clientes de planos de saúde eram 50.516.992. Os demais 150.515.722 de brasileiros recorrem exclusivamente ao SUS. Assim, em nível nacional, a população atendida pela assistência médica suplementar tem aproximadamente três vezes mais médicos à sua disposição que a população atendida pela rede pública.

As desigualdades público-privado podem assumir expressão ainda mais alarmante em diferentes regiões brasileiras e entre especialidades médicas. Acrescenta-se o fato de que o estudo mostrou maior concentração de médicos especialistas no setor privado. A forte atuação de especialistas em consultórios particulares contrasta com a baixa presença de médicos nos serviços de atenção secundária e especializada do SUS.

Postos de trabalho - Os resultados corroboram análises anteriores do estudo Demografia Médica no Brasil, que utilizou a Pesquisa de Assistência Médico-Sanitária (AMS) do IBGE, realizada pela última vez em 2009, com o objetivo de levantar informações sobre todos os estabelecimentos de saúde existentes no País, públicos ou privados, com ou sem fins lucrativos, em regime ambulatorial ou de internação.

Ao analisar os dados sobre “postos de trabalho médico ocupados” (sendo que um médico pode ocupar mais de um posto) nos setores público e privado, em três anos distintos – 2002, 2005 e 2009, – para os quais havia informações da AMS-IBGE, observou-se que a evolução a favor do privado foi potencialmente maior, considerando o tamanho das populações cobertas exclusivamente pelo SUS (75% da população) e pelos planos e seguros privados (25% da população).

Em 2002 (AMS-IBGE), foram contados 209.325 postos de trabalho médico ocupados no setor público e, bem acima disso, 256.186 postos ocupados no setor privado; ou seja, uma diferença de 46.861 postos ocupados. Em 2005, a diferença a favor do privado manteve-se semelhante a 2002, com 286.258 postos ocupados contra 241.367 postos no setor público, uma diferença de 44.891. No entanto, em 2009, o setor privado passou a disponibilizar muito mais postos de trabalho de médicos (354.536) do que o setor público (281.481): a diferença saltou para 73.055 postos a favor do privado.

Para melhor comparação, verificou-se o crescimento de 1,35 médico ocupando posto de trabalho no setor público. No setor privado o crescimento foi maior: 1,86 posto de trabalho ocupado para cada médico registrado. Essa distância equivale a uma diferença expressiva na disponibilidade de médicos para a população coberta pelo setor privado em relação à população que depende exclusivamente do SUS.

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