Rede dos Conselhos de Medicina
Programa Paraná Sem Dor de Câncer Imprimir E-mail
Qui, 04 de Julho de 2002 21:00
Atender pacientes com câncer através do acesso oportuno a medicamentos e cuidados paliativos de que necessitem, o mais próximo possível de suas residências e de acordo com as exigências legais. Esta é a proposta do Programa Paraná Sem Dor de Câncer. O programa segue exemplo e orientação da Organização Mundial de Saúde, que considera um problema de Saúde Pública o sofrimento de portadores de câncer causado pela dor não tratada adequadamente. “É extremamente importante a formação para médicos, principalmente os do interior, porque a dor é subtratada em todo o mundo”, comenta o médico Mário Luiz Giublin. Segundo ele, no Brasil há um número muito grande de pacientes que sofrem de dor e é através desse tipo de programa que os médicos vão se conscientizar disso e o problema vai diminuir. “O nosso objetivo é dar qualidade de vida ao paciente, eliminando a dor e os sintomas decorrentes dela”, declara. E é de fundamental importância, para o sucesso do programa, o treinamento dos profissionais de saúde em tratamento da dor e em cuidados paliativos, de acordo com as normas da Organização Mundial de Saúde, segundo o manual “Alívio da dor de Câncer”, empregado nos últimos 20 anos. Giublin acredita que este trabalho de capacitação, atualização e reciclagem para profissionais médicos promove saúde pública e também contribui para que se elimine o preconceito em relação ao uso de medicamentos utilizados para tratar a dor. “Os médicos precisam aprender a tratar a dor através do diagnóstico correto. Enquanto o diagnóstico está sendo feito, a dor precisa ser tratada e a causa dela deve ser combatida”. Isso justifica a capacitação ou a reciclagem proposta, antes da inclusão de quaisquer pacientes. Ao tempo do diagnóstico, na maior parte dos casos de câncer, a doença já se encontra em estágio avançado. Assim, a opção de tratamento recai muitas vezes sobre o alivio da dor e o controle de outros sintomas, em geral contemplados pelos cuidados paliativos. Não é comum que os profissionais de saúde tenham orientação terapêutica especifica para pacientes com câncer, como tampouco qualquer prática no uso de opiáceos. O programa visa cadastrar pacientes a partir da detecção destes pelos profissionais médicos para assim fornecer aos pacientes os medicamentos prescritos, dentro de um elenco inicial de 15 itens, a ser constantemente reavaliado; consolidar uma unidade estadual de assistência em dor e cuidados paliativos, em parceria com a UFPR, para a contínua reciclagem médica. Mais de 800 pacientes estão sendo beneficiados com este programa em todo o estado do Paraná. No ano de 1989, o médico Mário Luiz Giublin montou a primeira Clínica de Dor e Cuidados Paliativos no Hospital das Clínicas da UFPR, especializada em dores crônicas, principalmente a dor do câncer. Na clínica, Giublin orientava os residentes do HC através de eventos, como o Encontro Paranaense sobre Dor, com a participação da Sociedade Brasileira de Estudos da Dor, Associação Paraná Sem Dor e Sociedade Paranaense de Cancerologia. “O HC deve ser visto não só como hospital, mas também como um centro formador dos profissionais de saúde. E não só formar, mas também reciclar”, afirma. No entanto, havia a pretensão de expandir o atendimento, principalmente para doentes e médicos de outras regiões, e foi através do V Encontro Paranaense Sobre Dor, realizado em outubro de 2001, o qual reuniu cerca de 230 médicos de 127 municípios do estado, que a clínica desenvolveu um projeto com o intuito de capacitar os médicos vinculados ao Sistema Único de Saúde (SUS) do Paraná. Além disso, com o apoio da Secretaria Estadual de Saúde e da Associação dos Amigos do HC, através da Comissão da Dor Augusto Rutz e do Juizado de Penas Alternativas, a clínica passou a fornecer medicamentos aos pacientes cadastrados neste projeto, que hoje se transformou no Programa Paraná Sem Dor de Câncer. “Assim que os médicos estiverem credenciados, eles devem cadastrar cada um dos seus pacientes para receber regularmente os medicamentos prescritos dentre os fornecidos pelo programa”, explica Giublin. No mês de setembro está previsto o 2.º módulo de capacitação para os médicos do SUS, que será promovido pela Secretaria de Saúde e conta com apoio do programa. Para se informar sobre o programa e cadastrar os pacientes, basta procurar o ícone do Programa PR Sem Dor de Câncer e pode entrar em contato no site da Secretaria de Saúde (www.saude.pr.gov.br). PERFIL Mário Luiz Giublin é nascido em Curitiba, formou-se pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) em 1978 e fez residência em anestesiologia. Especializou-se em tratamento da dor no Hospital das Clínicas do Rio Grande do Sul em 1982, um ano depois voltou para Curitiba e começou a trabalhar em consultório e também no Hospital do Novo Mundo, onde está até hoje. Atualmente ele também trabalha no Hospital Nossa Senhora do Pilar, Hospital da XV e Hospital Nossa Senhora das Graças. Giublin é o Fundador da Sociedade Brasileira de Estudo da Dor.
 
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